Raiva desafia modelos explicativos das emoções

O que acontece quando sentimos raiva?

Quando ficamos com raiva, o ritmo cardíaco, a pressão arterial e a produção de testosterona aumentam, o cortisol (o hormônio do estresse) diminui e o hemisfério esquerdo do cérebro torna-se mais ativo.

A conclusão é de um estudo realizado por cientistas da Universidade de Valência, na Espanha, que analisou as mudanças nas respostas cerebrais, cardiovasculares, hormonais e cerebrais quando ficamos com raiva.

"As emoções geram alterações profundas no sistema nervoso autônomo, que controla a resposta cardiovascular, e também no sistema endócrino. Além disso, ocorrem mudanças também na atividade cerebral, especialmente nos lobos frontal e temporal", explica Neus Herrero, principal autor do estudo.

Modelos de explicação das emoções

No entanto, "olhando apenas para a atividade cerebral assimétrica do lóbulo frontal, que ocorre quando experimentamos emoções, há dois modelos que contradizem o caso da raiva," destacam os pesquisadores.

O primeiro modelo, "de valência emocional", sugere que a região frontal esquerda do cérebro está envolvida com as emoções positivas, ao passo que a região direita está mais relacionada às emoções negativas.

O segundo modelo, "de direção motivacional", mostra que a região frontal esquerda está envolvida com emoções relacionadas à aproximação, enquanto a direita está associada às emoções que provocam fuga.

As emoções positivas, como felicidade, são normalmente associadas a uma motivação de proximidade, e as negativas, como medo e tristeza, são caracterizadas por uma motivação de afastamento ou fuga.

Raiva

No entanto, nem todas as emoções se comportam de acordo com essa conexão. "O caso de raiva é único porque ela é sentida como negativa, mas, muitas vezes, evoca uma motivação de aproximação," explica o especialista.

"Durante a raiva, nós observamos em nosso estudo um aumento da vantagem da orelha direita, que indica uma maior ativação do hemisfério esquerdo, o que apoia o modelo de orientação motivacional," aponta Herrero.

Em outras palavras, quando ficamos com raiva, a nossa resposta cerebral assimétrica é medida pela motivação de proximidade com o estímulo que nos faz ficar com raiva, e não tanto pelo fato de considerarmos que este estímulo seja negativo.

"Normalmente, quando ficamos com raiva, mostramos uma tendência natural de nos aproximarmos daquilo que nos fez ficar com raiva para tentar eliminá-lo," explica o pesquisador.

Cada emoção é única

Este é o primeiro estudo sobre emoções em geral, e mais especificamente sobre a raiva, que analisa todos estes diferentes parâmetros psicobiológicos (cardiovascular, a resposta hormonal e a ativação da resposta assimétrica do cérebro) em uma única pesquisa, a fim de estudar as mudanças causadas pela indução da raiva.

Os resultados dão suporte a conclusões anteriores e defendem o que já havia sido observado por Charles Darwin: que as emoções, neste caso a raiva, são acompanhadas por padrões psicobiológico únicos e específicos para cada emoção.


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