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13/12/2013

Envelhecer e morrer não é uma lei da natureza

Redação do Diário da Saúde
Envelhecer e morrer não é uma lei da natureza
O pólipo de água doce (Hydra magnipapillata) que tem uma taxa de mortalidade tão baixa e constante que esse animal é efetivamente imortal.[Imagem: Ralf Schaible]

Obsolescência biológica

Na juventude somos fortes e saudáveis e, em seguida, enfraquecemos e morremos - é assim que a ciência e a medicina têm descrito o que é o envelhecimento.

Surpreendentemente, na natureza, excetuando o ser humano, o fenômeno do envelhecimento mostra uma diversidade inesperada de padrões e não necessariamente segue essa linha de "obsolescência biológica".

Esta é a conclusão de um estudo histórico realizado por pesquisadores da Universidade do Sul da Dinamarca e publicado nesta semana na revista científica Nature.

Desconexão entre envelhecer e morrer

O mais surpreendente é que nem todas as espécies enfraquecem e se tornam mais propensas a morrer à medida que envelhecem.

Ao contrário, algumas espécies ficam mais fortes e menos propensas a morrer com a idade, enquanto outras não são de forma nenhuma afetadas pela idade.

Ou seja, a diminuição da vitalidade com a idade não é uma lei da natureza.

Os pesquisadores dinamarqueses estudaram o envelhecimento em 46 espécies muito diferentes, incluindo mamíferos, plantas, fungos e algas.

Algumas se tornam mais fracas com a idade, o que se aplica a humanos, outros mamíferos e aves. Outras se tornam mais fortes com a idade, o que se aplica a tartarugas e algumas árvores. E, finalmente, algumas espécies não se tornam nem mais fracas e nem mais fortes com a idade, o que se aplica à hidra, por exemplo.

Assim, aumento de idade e morte também não têm uma relação necessária válida para todos os seres vivos.

Animal imortal

Como esperado segundo a teoria dominante, para várias espécies a taxa de mortalidade aumenta com a idade. Este padrão é visto na maioria das espécies de mamíferos, incluindo os seres humanos e as orcas, mas também em invertebrados como as pulgas da água.

No entanto, outras espécies apresentam uma diminuição da mortalidade com a idade e, em alguns casos, a taxa de mortalidade é decrescente com a idade. Isso se aplica a espécies como a tartaruga do deserto (Gopherus agassizii), que experimenta a maior taxa de mortalidade no início da vida e uma mortalidade em constante declínio à medida que envelhece. Muitas espécies de plantas, por exemplo a árvore do mangue branco (Avicennia marina), seguem o mesmo padrão.

Por incrível que pareça, há também espécies que têm uma mortalidade constante e não são afetadas pelo processo de envelhecimento.

E isto é ainda mais marcante no pólipo de água doce (Hydra magnipapillata) que tem uma taxa de mortalidade baixa e constante. Na verdade, em condições de laboratório, seu risco de morrer a qualquer momento em sua vida é tão baixo que esse animal é efetivamente imortal.

"A extrapolação a partir de dados de laboratório mostram que, mesmo depois de 1.400 anos, 5% de uma população de hidra mantida nestas condições ainda estaria viva," diz Owen Jones.

O que é envelhecimento?

A mesma falta de padrão foi observada com a fertilidade, que varia de um extremo a outro, desde a fertilidade só existindo no início da vida, em toda a vida ou em trechos dela.

Em suma, não há uma correlação entre os padrões de envelhecimento e a expectativa de vida que seja típica para todas as espécies de seres vivos.

"Não faz sentido considerar que o envelhecimento deve ser baseado em quantos anos uma espécie atingir. Em vez disso, é mais interessante definir o envelhecimento na forma de trajetórias de mortalidade: se as taxas aumentam, diminuem ou permanecem constantes com a idade," propõe Owen Jones.


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