Epilepsia não é uma doença, é uma síndrome

Síndrome

A epilepsia não é exatamente uma doença, mas uma síndrome ou conjunto de alterações decorrentes da perda do equilíbrio entre a excitação e a inibição dos neurônios, em uma ou mais regiões do cérebro.

Há diversos tipos de epilepsia, algumas de origem genética, outras sintomáticas, e a crise nem sempre é seguida de convulsão.

Para alguns casos, já existem medicamentos e até cirurgias que reduzem a frequência das crises.

Mas muitos dos mecanismos desencadeadores das crises epilépticas que acometem milhões de pessoas em todo o planeta ainda permanecem um mistério para a ciência.

Epilepsia induzida

Na tentativa de compreender a origem desse distúrbio neurológico, as pesquisas usam, além da informação proveniente de todo o universo clínico, modelos experimentais e computacionais, que procuram mimetizar as manifestações dessa síndrome e, adicionalmente, permitem testar a eficácia de potenciais drogas anticonvulsivantes.

"Estímulos sonoros, visuais ou até táteis podem ser o gatilho para as crises epilépticas, desde que haja predisposição genética," explica o neurofisiologista Norberto Garcia-Cairasco, professor de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) em Ribeirão Preto.

Já ficou demonstrado, por exemplo, que algumas drogas antiepilépticas utilizadas para pacientes humanos protegeram cobaias de determinadas linhagens genéticas, mas não se revelaram eficazes em outros modelos animais como, por exemplo, aqueles com crises induzidas por drogas ou estimulação elétrica. "Daí a necessidade de se utilizar variados modelos e realizar estudos comparativos para testar novas drogas antiepilépticas", argumenta Garcia-Cairasco.

Ele cita o exemplo de um fato ocorrido em 1997, no Japão, quando, durante um episódio do desenho animado da série Pokemon, sob efeito de intensa luz intermitente, centenas de crianças manifestaram sintomas neurológicos agudos e foram hospitalizadas. Algumas delas foram diagnosticadas com epilepsia de tipo fotossensível, hoje sabidamente de origem genética.

Os pesquisadores brasileiros também estão estudando possíveis mecanismos da associação entre epilepsia e a doença de Alzheimer, considerando que estudos recentes têm demonstrado que crises epilépticas podem contribuir para acelerar o declínio cognitivo no Alzheimer.

Desestigmatizando a epilepsia

As epilepsias são graves e, além do custo enorme com os pacientes não diagnosticados ou sem resposta às terapias, outros podem ter morte súbita associada a essa síndrome.

Há, portanto, um longo caminho a percorrer até se desvendar os enigmas que ainda envolvem a epilepsia, que incluem a compreensão das funções e disfunções do cérebro para além da linearidade das teorias científicas mais aceitas.

Segundo Garcia-Cairasco, são necessárias também iniciativas para "desestigmatizar" a epilepsia.


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