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18/09/2014

Espécie do parasita é determinante na leishmaniose cutânea

Com informações da Agência Fapesp

Lesões que não curam

Profissionais de saúde que atuam na região amazônica deparam-se frequentemente com pacientes com leishmaniose tegumentar (ou cutânea).

Esses pacientes podem apresentar desde lesões na pele - que, em algumas pessoas sem problemas imunológicos curam-se de forma espontânea - até úlceras nas mucosas que atingem a cartilagem do nariz e o palato, além de nódulos e placas eritematosas infiltradas, incuráveis pelo corpo.

"Acompanhamos por mais de 20 anos um paciente com leishmaniose tegumentar cheio de lesões espalhadas pelo corpo que não curaram", disse Carlos Eduardo Pereira Corbett, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. "Nesse caso, indicamos ações paliativas, para que o paciente não sofra muito."

Um grupo de pesquisadores da instituição, em colaboração com colegas do Instituto Evandro Chagas, em Belém (PA), e da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), descobriu agora que, além de ser influenciada pelo perfil genético e imunológico do hospedeiro, a resposta imune à leishmaniose tegumentar também é determinada pela espécie do parasita.

"Constatamos que alguns tipos de lesões cutâneas de leishmaniose tegumentar estão mais relacionados a uma espécie de parasita que modula a resposta imune do paciente infectado para desenvolver resistência ou suscetibilidade à doença", afirmou Corbett.

A constatação foi feita por meio de estudos realizados pelos pesquisadores com pacientes de áreas endêmicas de leishmaniose no Pará e no Maranhão, diagnosticados e acompanhados por eles, em alguns casos, há cerca de 20 anos.

Leishmaniose tegumentar

A leishmaniose tegumentar é transmitida para os humanos - e para animais silvestres como roedores, marsupiais, edentados e primatas - pela picada de fêmeas de insetos flebotomíneos (Diptera: Psychodidae) infectados por Leishmania. Os pesquisadores estimam que tenha ocorrido, nos últimos cinco anos, cerca de 30 mil casos da doença por ano no Brasil.

Na Amazônia brasileira - que tem a maior variedade de espécies do parasita no mundo e o maior número de casos de infecção no país e na América Latina -, a doença é causada por sete espécies do protozoário, sendo seis do subgênero Viannia - L. braziliensis, L. guyanensis, L. shawi, L. lainsoni, L. naiffi e L. lindenbergi - e uma do subgênero Leishmania, a L. amazonensis.

Ao ser infectado por uma dessas espécies de parasita intracelular - que ataca células macrofágicas (hospedeiras) -, o sistema imunológico do hospedeiro aciona uma série de células de defesa e anticorpos, entre outros mecanismos, que interagem com o protozoário e determinam sua destruição ou sobrevivência e, consequentemente, a resistência ou a suscetibilidade à doença.

Em caso de resistência à doença o hospedeiro pode desenvolver lesões na pele que são curadas espontaneamente. Em casos mais graves de infecção por L. braziliensis, nos quais a resposta imune do organismo ao parasita é muito agressiva, podem ser desencadeadas úlceras nas mucosas.

Já no caso da suscetibilidade, o hospedeiro pode desenvolver, na forma mais grave, lesões cutâneas incuráveis em todo o corpo - em um quadro denominado de leishmaniose alérgica difusa -, como um paciente atendido durante mais de 20 anos pelo pesquisador Fernando Silveira, do Instituto Evandro Chagas de Belém (PA), e um dos pesquisadores principais do projeto.

"A Leishmania tem 250 milhões de anos e foi se adaptando ao longo desse tempo", disse o pesquisador. "A compreensão dos mecanismos de interação do parasita com o hospedeiro - foco do nosso grupo de pesquisa - ainda representa um grande desafio", disse.


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