Estudo com medicamento usado em transplantes de fígado em crianças ganha prêmio

Uma tese de doutorado apresentada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) foi considerada o melhor trabalho, entre 950 apresentados, do Congresso Mundial de Cirurgia Pediátrica, realizado em setembro em Buenos Aires, na Argentina, o que lhe rendeu o prêmio "World Federation of Pediatric Surgeons Young Investigator Award".

Drogas imunodepressoras

O estudo, desenvolvido no Laboratório de Cirurgia Pediátrica (LIM-30) e no Setor de Cirurgia Experimental do Instituto da Criança da faculdade, verificou, em um modelo experimental em ratos recém-nascidos, os mecanismos de atuação de drogas imunossupressoras sobre a regeneração do fígado dos animais.

Para isso, inicialmente a pesquisadora Ana Cristina Tannuri, orientada pelo professor do Departamento de Pediatria da FMUSP, Uenis Tannuri, realizou uma hepatectomia parcial, a ressecção de 70% da massa hepática dos animais. Em seguida, foram aplicadas no órgão três drogas: ciclosporina, tacrolimus e corticosteróides.

"Esses tipos de drogas imunossupressoras são habitualmente utilizadas em crianças submetidas ao transplante hepático para evitar o processo de rejeição ao fígado transplantado", disse Uenis Tannuri, que também é chefe do Serviço de Cirurgia Pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP, à Agência FAPESP.

"Identificamos que essas drogas realmente interferem no processo de regeneração hepática, o que também poderá ter uma implicação importante nas drogas administradas em crianças", explica o professor.

Transplantes de fígado em crianças

Segundo ele, foram realizados estudos histológicos e de biologia molecular que consistiram na avaliação da expressão de genes de multiplicação celular e de morte celular. Adicionalmente, a avaliação imuno-histoquímica dos tecidos hepáticos dos ratos foi realizada com a utilização de uma técnica conhecida como tissue microarray, em que fragmentos de tecidos do fígado de vários ratos distintos, após a aplicação das drogas, são colocados lado a lado em uma mesma lâmina para a análise no microscópio.

"Foram analisados tecidos de mais de 200 animais. Por meio dessa técnica, que é mais econômica e prática, descobrimos que as drogas imunossupressoras podem tanto ativar mecanismos de multiplicação como de morte celular no fígado dos animais, sendo que a ação na apoptose, que é a morte celular programada, foi mais intensa", afirma Tannuri.

Os resultados beneficiarão as atividades dos autores, uma vez que eles já realizaram cerca de 350 transplantes de fígado em crianças no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O trabalho premiado, desenvolvido por meio de um auxílio a pesquisa da FAPESP, também contou com a participação da bióloga Maria Cecília Coelho.


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