Estudos propõem aplicar AZT por via nasal

Estudos propõem aplicar AZT por via nasal
Molécula de AZT.
[Imagem: Wikipedia]

AZT pelo nariz

Pesquisadores UNESP, em Araraquara (SP), estão estudando a possibilidade de o AZT, ou Zidovudina, ser administrado por via nasal.

Produzido em cápsulas, o medicamento foi o primeiro a trazer benefícios contra a Aids, doença que acomete cerca de 32 milhões de pessoas no mundo. O objetivo da proposta é melhorar a absorção da droga e reduzir os efeitos colaterais.

"A estratégia é fazer com que o AZT chegue diretamente à corrente sanguínea, sem passar pelo intestino e fígado, quando ingerido pela via oral, onde é transformado em substâncias tóxicas", avalia Flávia Carvalho, que estudou a nova forma de administração do fármaco em sua dissertação de mestrado, com a colaboração da aluna de doutorado Ana Luiza Ribeiro de Souza.

Desperdício do medicamento

Na forma de drágeas, somente 60% da dose administrada chega à circulação sanguínea, para então, começar a agir. "Por isso, doses maiores são administradas para alcançar efetividade terapêutica, mas que acabam gerando toxicidade", acrescenta a professora Maria Palmira Gremião, orientadora do estudo que coordena várias linhas de novas formas de absorção dos medicamentos. Mesmo assim, o medicamento não alcança outros locais de reservatórios do vírus, como o sistema nervoso central, o que torna a terapia ineficaz no controle do microorganismo.

No experimento in vitro, substâncias ativas do AZT foram envoltas por uma estrutura de tamanho nanométrico (milionésima parte de um metro). Em formulação composta por água, óleo e uma substância tensoativa tornou à mistura com melhor capacidade de adesão e a absorção pela mucosa nasal. "Por este novo esquema, o fármaco não passa pelo trato gastrintestinal e é liberado diretamente na corrente sanguínea", prevê Flávia. O estudo já foi aceito para publicação pela revista alemã Chromatographia.

Nanopartículas

Um outro trabalho, desenvolvido pela farmacêutica Rubiana Mainardes, avaliou a nova formulação do AZT por via nasal em ratos. O estudo demonstrou que as nanopartículas proporcionaram maior tempo de circulação do AZT na corrente sanguínea. "As nanopartículas contribuem para a redução da toxicidade do fármaco, pois são capazes de liberá-los de maneira prolongada", acrescenta.

O especialista Domingos Alves Meira, médico infectologista da Faculdade de Medicina, campus de Botucatu, considera que a pesquisa tem chances de sucesso se pela via nasal o medicamento ficar mais tempo na circulação sanguínea dos pacientes. "Porem é preciso saber qual será a resposta genética do vírus que possui grande capacidade de mutação", observa. "Além disso, saber se este tipo de aplicação será útil nos infectados dependentes de cocaína que geralmente possuem a cavidade nasal deteriorada".


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