EUA mudam forma de acompanhar e tratar colesterol alto

As associações de cardiologia mais importantes dos Estados Unidos surpreenderam a comunidade médica esta semana ao publicar novas orientações sobre como tratar o colesterol.

As novas recomendações mudaram completamente as regras do jogo.

Os pacientes agora não terão mais que perseguir a meta de permanecer abaixo de um nível específico de colesterol no sangue.

Em vez disso, os pacientes serão classificados em quatro grupos para os diferentes tratamentos recomendados com drogas conhecidas como estatinas.

Isso significa que um terço dos adultos que vive nos Estados Unidos poderá receber receitas das controvertidas estatinas na próxima vez que visitarem seu cardiologista.

Tais substâncias diminuem os níveis do colesterol, mas seu uso está longe de ser unanimidade entre os médicos, tanto por conta dos efeitos colaterais, quanto pela eficácia questionável entre alguns pacientes.

A outra novidade trazida pela orientação publicada pelo American College of Cardiology (ACC) e pela American Heart Association (AHA) é que, pela primeira vez, não se leva apenas em consideração os infartos, mas também os acidentes vasculares cerebrais.

Riscos do colesterol

No passado, as pessoas com níveis extremamente elevados, 190mg/dl ou mais, de colesterol ruim, conhecido como LDL, além de receberem tratamento com estatina, precisavam também reduzir o nível para 70mg/dl. Esta última meta não é mais necessária, pelo menos nos Estados Unidos.

O novo guia divide os pacientes em quatro grupos: os que já sofrem de doenças cardiovasculares, aqueles com níveis de LDL de 190mg/dl ou mais, adultos acima de 40 anos com diabetes tipo 2, e adultos acima de 40 anos com risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares nos próximos 10 anos.

No entanto, cardiologista José Antonio Carbonell afirma que a nova maneira de calcular o risco de eventos cardiovasculares "não provou ser muito precisa com determinados grupos da população, o que poderia significar que algumas pessoas receberiam tratamentos mais fortes do que elas possivelmente precisam."

Martin Nieves, diretor da unidade de Medicina Interna do Instituto Médico La Floresta em Caracas, na Venezuela, concorda com Carbonell. Para ele, o temor é de que "mais pacientes recebam estatina".

Mas, por outro lado, diz ele, "é improvável que os pacientes sejam afetados. Em vez disso, estas orientações são muito mais abrangentes", disse ele.

Controvérsia

Até hoje, as evidências científicas colocam a estatina como único tratamento farmacológico que provou ter um impacto na redução do colesterol, e, talvez por essa razão, estas novas recomendações deem tanta ênfase a este medicamento.

"No entanto, a primeira intervenção causada pelo uso do medicamento é sobre o estilo de vida, como uma dieta saudável para o coração, atividade física regular, peso saudável, e não utilizar produtos de tabaco", diz Nieves.

"A dieta mediterrânea ajuda a reduzir os níveis de colesterol no sangue de uma forma muito natural", diz Carbonell.

No entanto, tais medidas naturais não podem ser as únicas quando há altos níveis de colesterol e elevado risco de doenças cardiovasculares.

"Nas orientações de países europeus, que contam com um conjunto de objetivos, um paciente diabético que teve um acidente vascular cerebral, ou insuficiência renal, são pacientes de muito alto risco, e baixar os níveis de 190 para 80 não é suficiente. O ideal é chegar a 70mg/dl, desde que tolere as drogas", diz Rodriguez Padial.

Agora, as orientações nos Estados Unidos recomendam fornecer doses altas de estatina. "Claro que baixa o colesterol, mas apenas em teoria terá benefícios", acrescenta Rodriguez.


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