Exame genético para coágulos é desperdício, dizem especialistas

Exame genético para coágulos são desperdício, dizem especialistas
"Testes para este distúrbio quase nunca são benéficos, e na verdade podem até ser prejudiciais, pois podem causar sofrimento psicológico indevido para o paciente, e despesas desnecessárias para o sistema de saúde."
[Imagem: Wikimedia/GrahamColm]

Exame desnecessário

Meio bilhão de dólares - no mínimo - é gasto anualmente em exames de sangue para ver quais pacientes internados têm uma peculiaridade genética que torna seu sangue mais propenso a formar coágulos perigosos.

E a maior parte desse gasto provavelmente não é necessário, de acordo com a avaliação de uma equipe da Escola de Medicina da Universidade de Michigan (EUA), que acaba de ser publicada no Journal of Hospital Medicine.

A equipe rastreou os exames feitos para detectar uma característica chamada trombofilia hereditária, e concluiu que deve haver um corte drástico nos pedidos desses exames pelos médicos.

Afinal de contas, escrevem eles em seu artigo, pessoas hospitalizadas que já tiveram esses coágulos perigosos, chamados tromboembolismos venosos, não precisam de um teste genético positivo para justificar que eles tomem a medicação adequada e fazerem outras mudanças para evitar futuras ocorrências similares.

E, acrescentam, não há nenhuma evidência de que a medicação para prevenir coágulos ajude pacientes hospitalizados que ainda não tiveram um tromboembolismo venoso. Testar seu DNA para a trombofilia hereditária não mudará isso, afirmam.

Curiosidade dos médicos

De acordo os autores, pedir o teste de tromboembolismo hereditário em pacientes internados é algo que os médicos fazem por pouca ou nenhuma razão. E eles fazem isso centenas de milhares de vezes por ano em pacientes internados apenas pelo serviço de saúde pública dos EUA - não existem dados compilados sobre esse procedimento no Brasil.

O que é particularmente alarmante, dizem os especialistas, é que o exame é pedido apenas para satisfazer a curiosidade dos médicos, para ver se o paciente está entre os 7% da população com uma mutação genética que torna o sangue mais propenso a coagular.

"Mais exames nem sempre é algo melhor," disse o Dr. Christopher Petrilli, coordenador da análise. "Testes para este distúrbio quase nunca são benéficos, e na verdade podem até ser prejudiciais, pois podem causar sofrimento psicológico indevido para o paciente, e despesas desnecessárias para o sistema de saúde."


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