Exame da mordida pode apontar surgimento da artrite reumatoide

Exame da mordida pode apontar surgimento da artrite reumatoide
A avaliação da força da mordida pode dar sinais precoces do surgimento da artrite reumatoide, que não tem cura e depende de ações que evitem a piora da condição.
[Imagem: Agência Fapesp]

Uma avaliação simples da força de mordida, feito no consultório, pode dar indicações precisas sobre o desenvolvimento da artrite reumatoide.

A artrite reumatoide é uma doença autoimune - causada pela agressão do sistema imunológico ao próprio organismo - que ataca as articulações sinoviais.

O interior desse tipo de articulação é revestido pela membrana sinovial, que a artrite reumatoide torna espessa e inflamada. A membrana passa, então, a produzir substâncias que comprometem as estruturas articulares, podendo lesionar a cartilagem, o osso, ligamentos e tendões e resultar em deformidades e sequelas.

As mulheres são as principais vítimas da artrite reumatoide.

Articulação temporomandibular

Um grupo de pesquisadores da Escola Paulista de Medicina descobriu que força da mordida dos pacientes permite o diagnóstico da doença, antes que ocorram alterações irreversíveis.

"Constatamos que a região orofacial desses pacientes tem, de fato, mais alterações do que na população saudável, incluindo menor força de mordida. A avaliação da ATM [articulação temporomandibular] deveria, portanto, constar em consultas padrão, como forma de controlar a inflamação e a doença", disse Jamil Natour, professor de Reumatologia da Unifesp e coordenador de pesquisa.

A pesquisadora Carmen Paz Santibañez, membro da equipe, descobriu outra informação essencial para a utilidade preventiva desse tipo de avaliação.

Ao levantar o histórico de cada participante, com realização de exames físicos e questionários sobre o desempenho de atividades cotidianas, ela verificou que as perdas na força da região temporomandibular são simultâneas com outros sintomas da artrite reumatoide.

"Verificamos que a menor força de mordida acompanha a diminuição da força nas mãos, mostrando que a região orofacial tem acometimento concomitante a outras partes do aparelho musculoesquelético e deve, portanto, ser acompanhada e avaliada", afirmou.

Artrite reumatoide

A artrite reumatoide aparecer em qualquer idade, mas é mais prevalente entre os 30 e 40 anos. Quanto mais intensa e prolongada a exposição à inflamação articular, maiores as lesões que a doença pode provocar.

Não existe cura definitiva e é comum que múltiplas articulações sejam comprometidas - daí a importância da detecção precoce da condição.

O tratamento envolve medicamentos, injeções nas juntas inflamadas, fisioterapia e eventualmente cirurgias, a fim de conter o processo inflamatório e a progressão das lesões, controlar a dor e as alterações nas funções desempenhadas pelas diferentes regiões do corpo.

O comprometimento ou não da articulação temporomandibular depende de fatores como idade, tempo de doença, número de articulações com edemas, presença de fator reumatoide (anticorpo presente em cerca de 90% dos pacientes com artrite reumatoide) e resultados dos exames proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação.

Mas o professor Natour lembra que "tais exames são inespecíficos - qualquer doença inflamatória, até uma gripe, pode alterá-los - e o diagnóstico é clínico".

Comprovada a necessidade de acompanhar as alterações provocadas pela artrite reumatoide na ATM, o passo seguinte é pensar em intervenções que possam melhorar as funções da boca e da face e a qualidade de vida dos pacientes - agora já se sabe que a primeira medida deve ser uma atenção mais cuidadosa à avaliação oral de quem tem a doença.


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