Examinar o paciente no consultório está se tornando uma arte em extinção

Exame é coisa de laboratório

Nesta época de rápidos avanços tecnológicos, os médicos dedicam cada vez menos tempo ao atendimento de cada paciente.

Com isto, parece que examinar o paciente no consultório perdeu relevância, já que muitas vezes é mais fácil simplesmente pedir uma ressonância magnética do que proceder a uma análise cuidadosa do paciente.

A opinião é do Dr. Abraham Verghese, um autor consagrado de livros sobre medicina e professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Conexão entre médico e paciente

Para Verghese, que recentemente mereceu um artigo do jornal New York Times, é preocupante que as escolas de medicina estejam "deixando os exames pra lá", o que tem resultado em alunos e residentes de medicina que são incapazes de realizar um exame adequado dos seus pacientes.

Por exemplo, ele observa que muitos médicos residentes não sabem coisas tão banais quanto avaliar os reflexos do tendão.

Em suas próprias palavras, ele está em uma "missão para resgatar a importância do exame físico" dos pacientes.

Ele argumenta que um exame físico cuidadoso é não apenas essencial para o diagnóstico, como também gera confiança entre o médico e o paciente, estabelecendo uma conexão potencialmente profunda.

O que todos os médicos deveriam saber

Verghese, que é professor sênior de teoria e prática de Medicina, criou o chamado Stanford 25, uma lista de técnicas de exame dos pacientes que todos os médicos deveriam saber.

Os neurologistas poderão ficar felizes ao descobrir que pelo menos um quarto da lista envolve o exame neurológico - uma das áreas, segundo o médico, mais relegada ao "pedir exames de laboratório".

Inspirado pelas críticas de Verghese, o neurologista Gordon Smith acaba de propor uma discussão dentro da Academia Americana de Neurologia.

Ele propõe que seus colegas respondam a perguntas como "Você acha que o exame neurológico do paciente é uma 'arte' em extinção?"

Para o Dr. Smith, é preciso iniciar uma discussão no âmbito do ensino de Medicina, para que a prática perdida, ou em extinção, de examinar os pacientes durante uma consulta, seja reabilitada para preservar a "saúde do atendimento dos neurologistas".


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