Pesquisadores contestam existência de vício em sexo

Na onda crescente de "definições de novas doenças", já existem terapias específicas para superar uma condição conhecida como "vício em sexo".

Mas será que realmente podemos nos viciar em sexo, assim como acontece com drogas, como a cocaína?

Para responder a essa pergunta, pesquisadores da Universidade da Califórnia de Los Angeles (UCLA) realizaram um estudo para determinar se o cérebro das pessoas que sofrem de hipersexualidade - descrita como uma tendência exagerada se interessar ou se envolver em práticas sexuais - reage da mesma forma que o dos viciados em relação às drogas.

Não existe consenso na comunidade científica mundial sobre se a hipersexualidade pode ser considerada um vício ou se a questão é relacionada a um problema de comportamento e falta de controle.

As respostas cerebrais de pessoas que têm problemas para se controlar diante de imagens sexuais mostram que o comportamento destes indivíduos tem mais a ver com traços da personalidade - como uma tendência a serem mais compulsivos - do que com um vício.

"É incrível como se estendeu o uso do termo 'vício sexual', sobretudo nos EUA, sem nenhuma base científica", disse Nicole Prause, uma das autoras da pesquisa. "Em nosso estudo esperávamos encontrar uma relação entre hipersexualidade e a resposta do cérebro às imagens de sexo, mas não a identificamos".

Pesquisadores da própria Universidade da Califórnia tentaram, em 2012, definir o chamado "Distúrbio Hipersexual".

Os pesquisadores estavam interessados no que é denominada "resposta P300", que é a resposta do cérebro nos 300 milissegundos depois que uma pessoa vê uma imagem.

Esta unidade de medida, que vem sendo utilizada em muitos estudos internacionais sobre vício e impulsividade, é maior quando uma pessoa vê algo novo ou de especial interesse a ela, como quando um viciado em cocaína vê imagens da droga.

A conclusão foi que a resposta do P300 foi semelhante ao de pessoas que simplesmente tem uma libido mais elevada, que é um traço de personalidade, não ao de pessoas que têm um vício.

Os pesquisadores da UCLA acreditam que as conclusões do estudo podem agora colocar em xeque as atuais teorias que sustentam a existência de vícios sexuais - segundo eles, algumas pessoas "consomem mais pornografia", mas isto não é indício de uma doença.

Mesmo a controversa última edição da chamada "bíblia da psiquiatria", o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), deixou os vícios sexuais de fora.


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