Experiência é essencial na tomada de decisões difíceis

Experiência altera o cérebro

Pesquisadores demonstraram que a experiência passada pode de fato nos ajudar quando temos que tomar decisões complexas a partir de informações complexas, confusas e incertas.

Eles descobriram que o aprendizado com a experiência de fato altera nossos circuitos neuronais de forma que nosso cérebro passa a ser capaz de categorizar rapidamente o que estamos vendo e tomar uma decisão ou iniciar ações adequadas.

A pesquisa foi publicada no exemplar de Maio da revista médica Neuron.

Alterando o circuito cerebral

"O que descobrimos é que o aprendizado com as experiências passadas realmente refaz os nossos circuitos cerebrais, tornando-nos capazes de categorizar as coisas para as quais estamos olhando e responder apropriadamente a elas em qualquer contexto," diz o Dr. Zoe Kourtzi, da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.

Para tomar um curso de ação com maior probabilidade de sucesso, nosso cérebro tem de interpretar e dar sentido a informações sensoriais que são por natureza incertas e, por vezes, conflitantes.

Esta capacidade é especialmente crítica quando estamos respondendo e agindo frente a estímulos visuais que são muito similares entre si. Por exemplo, é isto o que acontece quando você está tentando reconhecer amigos no meio de uma multidão ou localizar células tumorais no meio de um tecido sadio na imagem de um exame médico.

Treinamento para achar categorias

"Nós descobrimos que esse processo de aprendizagem não é apenas uma matéria de apreender a estrutura do mundo físico - quando eu estou olhando para algo eu não estou apenas jogando um jogo de equivalência em meu cérebro onde eu tento identificar imagens semelhantes. De fato, algumas áreas em nosso cérebro são de fato treinadas para aprender as regras que determinam a forma como nós interpretamos as informações sensórias," diz Kourtzi.

A experiência não nos torna apenas capazes de achar um rosto familiar no meio da multidão. Ela treina determinados circuitos cerebrais para reconhecer categorias, e não apenas achar similaridades entre imagens semelhantes.

Decisões flexíveis

Os pesquisadores usaram uma combinação de técnicas matemáticas e imageamento por ressonância magnética funcional para detectar como o cérebro dos voluntários aprendiam a discriminar entre padrões visuais.

"Baseando-nos no que descobrimos, nós propomos que a informação aprendida sobre categorias é realmente retida nas áreas posteriores do cérebro. De lá, nós acreditamos que ela alimenta as áreas frontais do cérebro que transformam essa informação em decisões flexíveis e apropriadas dependendo das necessidades e do contexto," diz o médico.


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