Exposição ao ar poluído na gravidez altera estrutura da placenta

Exposição ao ar poluído na gravidez altera estrutura da placenta
Já se sabe também que a exposição durante a gravidez a um tipo específico de pó no ambiente, chamado poluição fina, aumenta o risco de autismo.
[Imagem: Harvard School of Public Health]

Poluição durante a gravidez

Já se sabe há bastante tempo que a exposição das gestantes à poluição do ar durante a gravidez influencia o desenvolvimento do feto. A criança pode apresentar baixo peso ao nascer, além de ter aumentada a possibilidade de apresentar determinadas doenças na vida adulta.

Contudo, como exatamente isso ocorre - os mecanismos moleculares pelos quais a poluição age na gestação - era algo que ainda não se sabia com precisão.

Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo constatou agora que os poluentes atmosféricos alteram algumas características da placenta, além de causar distúrbios em um sistema hormonal relacionado ao fluxo sanguíneo uteroplacentário e diminuir os níveis de fatores envolvidos no processo de formação placentária.

"Observamos que a exposição a poluentes antes e/ou durante a gravidez desencadeia alguns fenômenos inflamatórios ao longo do desenvolvimento da placenta que comprometem seu crescimento. Isso possivelmente interfere na transferência de nutrientes e de oxigênio da mãe para o feto," resume o professor Joel Cláudio Heimann.

Alteração da placenta

Para simular as condições reais de exposição de mulheres à poluição do ar antes e durante a gravidez em cidades como São Paulo, antes da gravidez animais de laboratório foram colocados em contato com ar poluído durante uma hora cinco vezes por semana por três semanas seguidas. A partir do sexto dia de prenhez, o número de exposições foi de sete vezes por semana.

Análises das placentas dos animais indicaram que a exposição ao ar poluído antes ou durante a gravidez diminuiu a massa, o tamanho e a área superficial da placenta e causou alterações no sistema RAS (sistema hormonal renina-angiotensina).

Estudos anteriores apontaram que distúrbios nesse sistema podem levar a uma redução do fluxo sanguíneo uteroplacentário. Além disso, a angiotensina II (AngII) - um peptídeo que faz parte desse sistema - é um potente regulador da migração e invasão de trofoblasto - camada de células epiteliais que forma a parede externa da blástula dos mamíferos (blastocisto) e atua na implantação e nutrição do embrião - no início da gravidez.

A invasão da vasculatura materna pelo trofoblasto é um pré-requisito para o estabelecimento de uma placenta normal e a continuação da gravidez, explicaram os pesquisadores. Mas a poluição evita que esse processo ocorra de forma normal.


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