Fármaco experimental combate efeitos da malária na gestação

Fármaco experimental combate efeitos da malária na gestação
Os fetos do grupo tratado com inibidor de TLR4 (Figura A) se desenvolveram normalmente, enquanto os do grupo não tratado (Figura B) sofreram restrição de crescimento intrauterino.
[Imagem: Renato Barboza et al. - 10.1038/s41598-017-08299-x]

Malária na gravidez

A infecção pelo parasita causador da malária durante a gravidez pode não apenas aumentar o risco de aborto e de parto prematuro, como também prejudicar o crescimento do feto no útero, deixando a criança mais suscetível a morrer nos primeiros meses de vida e a desenvolver doenças na vida adulta.

O pesquisador brasileiro Renato Barboza e seus colegas da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) e da USP descobriram que é possível prevenir todas essas complicações da malária gestacional impedindo a ativação de um receptor específico existente nas células da placenta: o TLR4 (receptor do tipo Toll-4).

Durante a gestação, os protozoários do gênero Plasmodium tendem a se acumular na placenta - região com alta irrigação sanguínea. É essa inflamação na placenta que impede a passagem de quantidades adequadas de oxigênio e nutrientes para o feto.

Mesmo após a infecção ser debelada pelo tratamento com drogas antiparasitárias, a inflamação pode persistir até o fim da gestação, uma vez que fragmentos do parasita ficam depositados no tecido, podendo ativar os receptores TLR4.

"Foi demonstrado que o tratamento padrão, feito apenas com antiparasitários, não é suficiente para evitar as complicações da malária gestacional. Nossa proposta não é substituir esses medicamentos e sim acrescentar ao esquema terapêutico fármacos capazes de impedir a ativação de TLR4," disse o professor Cláudio Marinho, coordenador do trabalho.

Bloqueador de TLR4

Em testes feitos com camundongos, a estratégia mostrou-se bem-sucedida. O tratamento com a droga experimental IAXO-101, que atua bloqueando o TLR4, evitou que as fêmeas infectadas pelo Plasmodium berghei desenvolvessem lesões placentárias e possibilitou que a prole nascesse com a mesma média de peso observada nos animais do grupo controle (não infectados).

Já os filhotes das fêmeas infectadas e tratadas apenas com placebo apresentaram no nascimento uma redução de peso que variou de 20% a 30% quando comparados ao controle. Além disso, o tratamento com IAXO-101 também reduziu no sangue materno os níveis de uma molécula inflamatória conhecida como TNF-α (fator de necrose tumoral alfa), considerada danosa durante a gestação.

Nesses primeiros testes com animais, a substância mostrou-se segura e não apresentou efeitos para a prole mesmo nas fêmeas não infectadas.

"Atualmente, não há drogas aprovadas para uso humano que sejam capazes de bloquear TLR4. E ainda serão necessários mais estudos com animais para garantir a segurança de um teste clínico com IAXO-101 ou qualquer outra molécula capaz de inibir TLR4," ressaltou o pesquisador.


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