Fiocruz começa teste de vacina contra malária

Vacina brasileira contra a malária

A Fundação e o Instituto Oswaldo Cruz começaram a testar em animais fármacos que poderão levar ao desenvolvimento de uma vacina contra a malária no Brasil.

"Passada essa fase [testes em animais], a ideia é entrar em ensaios clínicos", disse o chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz, Cláudio Ribeiro.

Segundo ele, os testes clínicos serão efetuados com voluntários, visando a verificar a inocuidade, ou seja, se a substância que vai ser injetada não faz mal a quem a recebe.

Em seguida, os pesquisadores observam se há uma resposta imunológica do paciente e se essa resposta é forte o suficiente para proteger o indivíduo da infecção. "Aí, estaremos prontos para fazer ensaios em populações".

Segundo Ribeiro, os pesquisadores querem chegar a uma vacina que proteja ao mesmo tempo contra a malária e contra a febre amarela.

Falta de recursos contra a malária

A malária é considerada uma doença negligenciada.

Um estudo publicado nesta semana por cientistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco, mostrou que, ao longo dos últimos 80 anos, todos os surtos de malária no mundo ocorreram depois que houve cortes nas verbas governamentais para o combate à doença.

Na Índia, por exemplo, a Agência para o Desenvolvimento Internacional financiou um programa de erradicação que levou a uma queda vertiginosa nos casos de malária anuais, de cerca de 100 milhões no início do século 20, para cerca de 100.000 em 1965.

Mas quando o envolvimento da instituição cessou, a malária ressurgiu com um pico de 6 milhões de casos em 1976.

Calcula-se que 216 milhões de pessoas contraíram malária em 2010, em 106 países - 655.000 morreram da doença.

No Brasil, em 2011, foram registrados 263 mil casos contra 320 mil no ano anterior.

Diagnóstico da malária

Cláudio Ribeiro destaca que o que mais está chamando a atenção no momento é a ocorrência de malária fora da área de transmissão.

Embora sejam poucos casos, eles aparecem em lugares onde os médicos não estão acostumados a lidar com a doença, descartando o diagnóstico: "A malária, proporcionalmente, mata mais fora da região amazônica do que dentro".

Os pacientes que têm a malária diagnosticada em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo ou Belo Horizonte, por exemplo, têm 60 vezes mais chance de morrer da doença, do que se a malária for diagnosticada na região amazônica. "Isso porque, aqui, o médico não pensa no diagnóstico e confunde a doença com dengue e outras síndromes febris".

Bilhões

Ribeiro ressaltou que, graças ao aporte financeiro de instituições como a Fundação Melinda e Bill Gates, pesquisadores do mundo inteiro dispõem hoje de R$ 2 bilhões por ano para realizar pesquisas que permitem vislumbrar a eliminação da malária do planeta.

Ele avaliou, porém, que seriam necessários R$ 6 bilhões por ano para atingir esse objetivo.


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