Fissura de palato poderá ser curada antes do nascimento

Fissura de palato poderá ser revertida antes do nascimento
Tiveram sucesso os primeiros experimentos em animais visando a reversão da fissura de palato antes de o bebê nascer, sem cirurgias, usando apenas terapia genética.
[Imagem: Wikimedia/DnetSvg]

Reversão da fissura de palato

Em um estudo publicado na revista Development, cientistas da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, relatam um experimento bem-sucedido para reverter de forma não-cirúrgica o surgimento da fissura de palato, ou fenda palatina, em fetos de ratos ainda no útero.

O estudo, que envolve apenas terapia genética, sem cirurgias, é um passo importante para uma melhor compreensão de defeitos semelhantes em seres humanos. A fissura de palato exige inúmeras cirurgias reconstrutivas após o nascimento.

O que é fissura palatina?

Yang Chai, principal autor do estudo, afirma que a fissura palatina é uma das malformações congênitas mais comuns em humanos e que o atual tratamento cirúrgico para esta anomalia craniofacial é, na maioria das vezes, complexo e invasivo, às vezes se estendendo por anos antes que o tratamento possa ser considerado concluído.

A fenda palatina pode causar complicações graves, incluindo dificuldades para comer e aprender a falar.

Genes responsáveis pela fissura palatina

No entanto, a regulação precisa de importantes moléculas sinalizadoras durante a formação do palato poderá um dia permitir que os médicos revertam uma fissura de palato antes de o bebê nascer, afirma Chai.

Por exemplo, a proteína Shh deve permanecer dentro de um determinado nível no feto em desenvolvimento a fim de que o palato forme-se adequadamente. A fenda palatina pode ocorrer se esta proteína ficar muito abaixo ou muito acima dos seus níveis normais.

Dois genes são responsáveis pela regulação dos níveis da Shh. Sinalizações do gene Msx1 incentivam a produção da Shh, enquanto o gene Dlx5 diminui a produção da Shh, criando um equilíbrio saudável. Os dois genes são fundamentais para o desenvolvimento saudável do palato, dos dentes, do crânio e de outras estruturas faciais.

Recuperação do palato nos fetos

No experimento inédito, os fetos de ratos foram geneticamente modificados para apresentarem um defeito no gene MSX1, resultando na falta de expressão da proteína Shh e na formação de fissuras palatinas.

No entanto, quando o impacto do gene Dlx5 foi suprimido, o organismo produziu mais Shh e o palato retomou seu crescimento.

Quando os ratos nasceram, seus palatos estavam intactos. Embora algumas das estruturas orais tivessem pequenas diferenças em relação aos palatos de ratos completamente saudáveis, o funcionamento dos palatos recuperados era totalmente saudável, permitindo que os ratos recém-nascidos se alimentassem normalmente.

Com mais pesquisas sobre os processos genéticos por trás de fissura de palato em humanos, a descoberta poderá um dia fazer uma grande diferença nas técnicas de prevenção e tratamento da fissura de palato em humanos, disse Chai.


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