Ver:

 Temas
 Enfermidades





RSS Diário da Saúde

Twitter do Diário da Saúde

15/12/2014

Genética mostra limitações dos modelos animais para estudar doenças humanas

Redação do Diário da Saúde

Limitações dos modelos animais

Rastreando a linha evolutiva e a expressão genômica de humanos e camundongos, um grupo internacional de pesquisadores encontrou indícios fortes sobre por que certos processos e sistemas dos camundongos - tais como o sistema imunológico, o metabolismo e a resposta ao estresse - são tão diferentes dos mesmos processos e sistemas nas pessoas.

Com base em anos de estudos de regulação gênica nas cobaias, a equipe desenvolveu uma técnica que ajuda a entender melhor como as semelhanças e diferenças entre camundongos e seres humanos foram transcritas em seus genomas.

Isto pode determinar quando o camundongo é um modelo adequado para o estudo da biologia e das doenças humanas e quando não é, ajudando a explicar algumas das limitações dos estudos científicos realizados com essas cobaias.

O estudo é tão extenso que foi publicado em quatro artigos separados na revista Nature, além de artigos mais específicos em outras publicações.

Trata-se dos últimos resultados provenientes do projeto ENCODE, ou Enciclopédia dos Elementos do DNA. O projeto ENCODE está construindo um catálogo abrangente de elementos funcionais que incluem genes que fornecem instruções para construir proteínas, genes não codificantes de proteínas e elementos reguladores que controlam quais genes são ligados ou desligados e quando.

Diferenças entre humanos e camundongos

Os pesquisadores descobriram que algumas diferenças nas sequências de DNA associadas a doenças em seres humanos parecem ter homólogos no genoma dos camundongos, embora estudos específicos precisem ser realizados para confirmar cada caso. Eles também mostraram que certos genes e elementos são semelhantes em ambas as espécies, fornecendo uma base para usar o animal para estudar algumas doenças humanas importantes.

No entanto, enquanto as duas espécies carregam um grupo central de programas similares para regular a atividade genética, os pesquisadores descobriram que as diferenças aparecem em tecidos e células específicas.

O estudo documentou muitas variações e padrões de expressão genética que não são compartilhados entre homens e camundongos, o que pode limitar o uso do animal como um modelo de doença.

Por exemplo, a análise mostrou que, no sistema imunológico, nos processos metabólicos e na resposta ao estresse, a atividade de alguns genes é diferente entre camundongos e seres humanos, confirmando pesquisas anteriores. Este novo trabalho foi além, permitindo identificar genes e outros elementos potencialmente envolvidos na regulação desses genes nos camundongos, alguns dos quais não têm contrapartes nos seres humanos.

Genética mostra limitações dos modelos animais para estudar doenças humanas
Esta imagem mostra uma comparação do cromossomo 1 humano e seu equivalente no camundongo. [Imagem: Centre for Genomic Regulation (CRG)]

Evolução

Camundongos e humanos compartilham aproximadamente 70% das mesmas sequências de genes codificadores de proteínas - mas isto representa apenas 1,5% dos dois genomas.

"Nós vimos o genoma do camundongo como um livro com algumas seções inseridas e certas seções retiradas pela evolução," disse Dr. Bing Ren, membro do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer (EUA) e um dos líderes do projeto.

Agora, cada cientista que se propuser a usar camundongos para estudar doenças ou comportamentos humanos dispõe de uma base de dados onde é possível verificar se o camundongo é realmente um modelo adequado, permitindo que as conclusões sirvam de indícios para fenômenos semelhantes em humanos.


Ver mais notícias sobre os temas:

Cobaias

Genética

Desenvolvimento de Medicamentos

Ver todos os temas

Mais lidas na semana:

Ciência começa a entender eficácia da Medicina Chinesa contra o câncer

O que é melhor: Meditação ou Férias?

Carne e barbatana de tubarão contêm altos níveis de neurotoxinas

Dor de cabeça: Conheça aquelas que exigem tratamento

Medicamento desenvolvido no Brasil combate origem da hipertensão