Governo e planos de saúde contestam pesquisa sobre saúde no Brasil

Os resultados da pesquisa feita pelo Instituto Datafolha, a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM), sobre a saúde no país foram questionados pelo governo e por representantes da saúde privada.

Divulgado na última terça-feira (19), a interpretação dos dados apontava que os serviços públicos e privados de saúde no Brasil são considerados regulares, ruins ou péssimos por 93% da população.

Em nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa as principais operadoras de saúde do país, considera que o resultado da pesquisa contraria o cenário apontado por indicadores do próprio órgão regulador do mercado e do Procon-SP.

"Segundo a última edição da publicação Foco - Saúde Suplementar, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em março de 2014, o índice de reclamações dos beneficiários caiu pelo quinto mês consecutivo, para os conjuntos de operadoras de pequeno, médio e grande porte. Entre as dez áreas monitoradas pelo Procon-SP, os planos de saúde ocupam, ano após ano, as posições 7º, 9º, 8º e 7º no ranking de queixas, de 2010 a 2013. As operadoras de planos de saúde estão empenhadas em corrigir eventuais imperfeições no atendimento e os indicadores mostram essa determinação".

Já o Ministério da Saúde divulgou uma nota de repúdio à pesquisa, argumentando que o levantamento foi feito de maneira tendenciosa e distorcida e se referindo aos dados como um desserviço ao SUS.

Para o Ministério, o conselho induz a opinião pública ao erro quando afirma que 93% da população atribuíram uma nota negativa ao sistema de saúde (público e privado) no país, já que a pesquisa mostra que 74% dos entrevistados deram notas superiores a 5 para os serviços ofertados pelo SUS.

De acordo com a pesquisa, dos entrevistados que usaram um serviço da rede pública, 26% deram nota de 0 a 4 sobre a qualidade dos serviços; 44%, nota de 5 a 7; 30%, nota de 8 a 10; e 1% não sabem.

"Não há dúvida que, ao apontar que 96,7% dos entrevistados tiveram acesso aos serviços de saúde, a pesquisa permite dizer que União, estados, municípios, prestadores de serviço complementar e parceiros estão no caminho certo para a garantia do direito constitucional à saúde".

Veja abaixo o comunicado emitido pelo Ministério da Saúde sobre a pesquisa.

Nota de Repúdio

O Ministério da Saúde lamenta a interpretação tendenciosa da Pesquisa de Opinião.

A obsessão do CFM (Conselho Federal de Medicina) contra o Mais Médicos acabou cegando a entidade e seu senso de responsabilidade.

A maneira tendenciosa e distorcida pela qual o CFM analisou e divulgou a pesquisa de opinião nesta terça-feira (19) é um desserviço ao SUS (Sistema Único de Saúde).

A atitude desrespeita e denigre o esforço de milhões de gestores e profissionais que atuam na rede pública e privada de saúde, como os próprios médicos.

A pesquisa, se analisada com seriedade, poderia trazer contribuições para o aperfeiçoamento do sistema de saúde brasileiro, nas suas esferas público e privada.

Com o uso político da pesquisa, perde-se a oportunidade do CFM contribuir nesse debate.

A entidade induz ao erro quando afirma que 93% da população atribuiu uma nota negativa ao sistema de saúde. Uma observação clara da pesquisa mostra que 74% deram notas superiores a 5 para os serviços ofertados.

Não há dúvida que, ao apontar que 96,7% dos entrevistados teve acesso aos serviços de saúde, a pesquisa permite dizer que União, estados, municípios, prestadores de serviço complementar e parceiros estão no caminho certo para a garantia do direito constitucional à saúde.

Para avançarmos nesse processo, precisamos de pessoas responsáveis e entidades comprometidas com a saúde brasileira.


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