Grupos de convivência melhoram qualidade de vida dos idosos

Bem-estar dos idosos

Em sua maioria, eles não apresentam sinais de depressão, relacionam-se bem com suas famílias e amigos, são independentes para as atividades básicas do dia-a-dia e consideram-se bem de saúde: estamos falando dos idosos que freqüentam grupos de convivência em Belo Horizonte.

Eles foram alvo de um estudo publicado recentemente na revista Cadernos de Saúde Pública, periódico científico da Fiocruz. Desenvolvida por pesquisadores do Centro Universitário de Belo Horizonte, a pesquisa buscou conhecer o perfil desses idosos, com o objetivo de fortalecer os grupos de convivência como espaços de promoção da saúde e do bem-estar daqueles que passaram dos 60 anos.

Grupos de convivência de idosos

A partir dos anos 70, os grupos de convivência de idosos se multiplicaram por todo o país, em clubes, paróquias, associações comunitárias, centros de saúde e universidades A partir dos anos 70, os grupos de convivência de idosos se multiplicaram por todo o país, em clubes, paróquias, associações comunitárias, centros de saúde e universidades

Esse tipo de iniciativa se justifica pelo crescimento da população idosa, um fenômeno mundial. Estimativas apontam que, até 2050, haverá um idoso em cada cinco brasileiros. Os números demonstram a necessidade de políticas para garantir um envelhecimento ativo, que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), requer participação, saúde e segurança. "Nesse contexto, os grupos de convivência de idosos vão de encontro à promoção do envelhecimento ativo, com o objetivo de preservar as capacidades e o potencial de desenvolvimento do indivíduo idoso", afirmam os pesquisadores no artigo.

Universo feminino na terceira idade

Cerca de 200 idosos que frequentavam 18 desses grupos mineiros foram entrevistados pela equipe do Centro Universitário de Belo Horizonte. Os participantes, em sua maioria, eram mulheres viúvas, na faixa etária de 65 a 74 anos, com baixa escolaridade e que viviam com algum parente, sobretudo filhas.

A partir desses dados, os pesquisadores propõem algumas recomendações. "Ações destinadas aos grupos de convivência de idosos devem considerar o universo feminino na terceira idade e suas peculiaridades, ao mesmo tempo em que considerem alternativas que atraiam os homens, favorecendo sua integração social, informação, lazer e qualidade de vida", dizem no artigo.

Acesso à educação para os idosos

Além disso, "no desenvolvimento de atividades para os grupos de convivência de idosos, não só deve-se considerar sua adequação para a baixa escolaridade dos idosos, mas pensar na proposição de programas que possibilitem novas formas de acesso à educação formal e informal, com metodologia adequada às necessidades deste público".

Outra sugestão dos autores diz respeito ao engajamento das famílias nas ações. "Os grupos de convivência de idosos poderiam desenvolver atividades de caráter intergeracional e envolver as famílias nos programas, buscando melhor adaptação do idoso à família e mais informações gerontológicas", sugerem.

Saúde boa ou ótima

Quanto aos aspectos de saúde, mais de 85% dos entrevistados disseram apresentar pelo menos uma doença, sobretudo sintomas cardíacos e, entre as síndromes geriátricas, a incontinência urinária. O alto percentual de idosos com algum problema de saúde não impediu que a grande maioria deles avaliasse sua saúde como boa ou ótima.

A explicação pode estar no fato de que, apesar da presença de doenças, estas estão sob controle e tratamento: cerca de 90% dos entrevistados referiram utilizar pelo menos um medicamento e 82% fizeram consultas médicas nos últimos três meses. "Esse perfil social e epidemiológico indica que os grupos de convivência de idosos podem ser importantes veículos para que as ações de saúde atinjam um número significativo de idosos", destacam os pesquisadores no artigo.

Soma-se a isso que os problemas de saúde desses idosos não os impedem de manter seus vínculos sociais e suas tarefas cotidianas, conforme revelado nas entrevistas, nas quais os participantes contaram, ainda, que ajudavam suas famílias, seja financeiramente, seja cuidando das crianças. No entanto, os autores do estudo lembram que é preciso refletir sobre a possibilidade e a importância de idosos mais dependentes, com dificuldades funcionais, também serem incentivados a participar de grupos de convivência.

Oferta de serviços aos idosos

Um dado que resume bem os resultados da pesquisa se refere ao tempo em que os entrevistados participavam dos grupos: a grande maioria dos idosos ouvidos frequentava as atividades há mais de cinco anos.

Esse dado "sugere que os mesmos estão encontrando o que buscam nestes locais e confirma a possibilidade de utilização dos grupos de convivência como veículos para aumentar a qualidade de vida e a oferta de serviços aos idosos", ressaltam os pesquisadores no artigo.


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