Hemofilia é suprimida de forma quase definitiva em animais de laboratório

Hemofilia é suprimida de forma quase definitiva em animais de laboratório
As células sobreviveram - e continuaram a produzir FIX - por pelo menos um ano após o transplante, virtualmente todo o tempo de vida dos animais.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Gene FIX

Para a maioria das pessoas com hemofilia B, cujos organismos não conseguem formar coágulos sanguíneos adequadamente, injeções constantes para reabastecer seus fatores de coagulação são um modo de vida.

Mas agora pesquisadores demonstraram que a hemofilia B poderia ser tratada por toda a vida com uma única injeção contendo células hepáticas livres da doença, que podem então produzir o fator de coagulação ausente nos hemofílicos.

Os experimentos ainda estão na fase de testes em animais, mas a descoberta poderia mudar drasticamente o que significa ser diagnosticado com hemofilia B, além de indicar a possibilidade de tratamentos semelhantes para outros distúrbios genéticos.

A equipe do Instituto Salk (EUA), que está desenvolvendo esta nova técnica, já havia tratado camundongos geneticamente modificados para apresentarem hemofilia B com filamentos de RNA mensageiro que codifica o gene FIX. Como o tratamento padrão, no entanto, isso exigia injeções repetidas a cada vez que os níveis do RNA mensageiro diminuíam.

Eles então partiram para uma abordagem mais permanente: transplantar nos pacientes células saudáveis do fígado, capazes de produzir FIX.

Como doadores são escassos, a equipe se voltou para as estratégias das células-tronco pluripotentes induzidas, para produzir células saudáveis do fígado em laboratório. Usando amostras de sangue de pacientes humanos com hemofilia B grave, eles alteraram os genes por meio da técnica CRISPR/Cas9, reparando as mutações, e então induziram as células reparadas a se desenvolverem em células precursoras do fígado, chamadas "células semelhantes a hepatócitos" (HLCs). Finalmente, as células foram transplantadas nos camundongos com hemofilia B.

Promissor

As HLCs produzidas em laboratório não apenas produziram FIX, como também produziram o suficiente da proteína para permitir que os animais formassem coágulos de sangue normais. E as células sobreviveram - e continuaram a produzir FIX - por pelo menos um ano após o transplante, virtualmente todo o tempo de vida dos animais.

"O apelo de uma abordagem baseada em células é que você minimiza o número de tratamentos que um paciente precisa," disse o pesquisador Suvasini Ramaswamy. "Em vez de injeções constantes, você pode fazer isso uma vez só."

Antes disso, porém, há um longo caminho para passar dos experimentos em cobaias para os testes em humanos, principalmente porque os testes de tratamentos com células-tronco têm apresentado vários contratempos.

Hemofilia B

A hemofilia B é causada por defeitos no gene que codifica uma proteína chamada fator IX de coagulação (FIX). Os hemofílicos podem produzir quantidades reduzidas da proteína, ou não têm uma versão funcional, levando a falhas na coagulação sanguínea que podem ser fatais.

Atualmente, os pacientes são tratados com injeções - que podem chegar a várias por semana - contendo FIX sintetizado em células animais e depois purificados. O tratamento é caro, demorado e pode se tornar menos eficaz com o tempo.

Infelizmente, a equipe reconhece que "muitas coisas têm que acontecer antes que [a nova técnica] seja aplicada em humanos," disse Ramaswamy.


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