Hiperatividade ou imaturidade? Idade faz toda a diferença

Hiperatividade ou imaturidade? Idade faz toda a diferença
Já existem videogames terapêuticos para o tratamento da hiperatividade, evitando os muitos efeitos colaterais das medicações comumente usadas.
[Imagem: Agência Fapesp]

Coisa de criança?

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é normalmente descrito como uma incapacidade da criança de sustentar os níveis de atenção e controlar os impulsos.

O problema é que o reconhecimento do transtorno e a indicação de medicamentos para seu tratamento - alguns com eficácia questionada - provocou um excesso de diagnósticos dessa hiperatividade, com alguns psiquiatras defendendo que a TDAH atinja até 15% de todas as crianças.

Contudo, até mesmo uma diferença de poucos meses na idade da criança ao ingressar na escola pode ter um efeito sobre se ela será diagnosticada com TDAH ou se será considerada uma criança normal.

Idade para matrícula na escola

A equipe do Dr. Mu-Hong Chen, de Taiwan, analisou dados de 378.881 crianças com idades entre 4 e 17 anos, entre 1997 e 2011, e avaliou a prevalência de ser dado um diagnóstico de TDAH e/ou a criança receber uma receita com medicação tipicamente dada para tratar a hiperatividade.

O grande diferencial do estudo foi usar a data de nascimento das crianças, comparando-a com a data de corte de 31 de Agosto usada naquele país para a matrícula escolar, o que permitiu comparar as crianças mais novas em cada ano (as nascidas em agosto) com as mais velhas (nascidas em setembro).

O que se descobriu foi que as crianças nascidas em agosto foram muito mais propensas a serem diagnosticados com TDAH e/ou receber medicação para TDAH do que as crianças mais maduras, nascidas em setembro.

O fenômeno foi particularmente forte no primeiro ano, decrescendo nos anos seguintes até desaparecer. Ao chegar à adolescência, os nascidos em agosto não apresentaram um risco aumentado de diagnóstico de TDAH.

Imaturidade, não hiperatividade

O Dr. Chen resume o resultado dizendo que o comportamento das crianças mais novas não pode ser diretamente comparado com a dos seus colegas mais velhos - e elas podem não ter hiperatividade, mas apenas serem imaturas frente aos seus colegas alguns meses mais velhos.

"Nossos resultados enfatizam a importância de se considerar a idade de uma criança dentro de uma série escolar quando for feito o diagnóstico de TDAH e a prescrição de medicamentos para tratar a TDAH," concluiu a equipe.


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