Homofobia pode mascarar negação da própria sexualidade

Sentimento autodirigido

A homofobia - o preconceito contra pessoas homossexuais - é mais pronunciada em pessoas com uma atração não consciente por pessoas do mesmo sexo, afirmam cientistas.

Além disso, uma série de estudos conduzidos por uma equipe internacional demonstrou que as pessoas que cresceram com pais autoritários são mais propensas à homofobia.

O estudo é o primeiro a documentar o papel que educação e orientação sexual desempenham na formação do medo intenso e visceral dos homossexuais, incluindo atitudes homofóbicas autodeclaradas, discriminação, hostilidade implícita contra gays e o apoio a políticas anti-gay.

Medo

Segundo os cientistas, a reação negativa em relação aos homossexuais nada mais é do que uma reação de medo.

"Indivíduos que se identificam como heterossexuais, mas que em testes psicológicos denunciam uma forte atração pelo mesmo sexo, sentem-se ameaçados por gays e lésbicas porque os homossexuais os lembram de tendências semelhantes dentro de si mesmos," tendências estas que eles fazem tudo por reprimir, explica Netta Weinstein, principal autora do estudo.

"Em muitos casos, são pessoas que estão em guerra consigo mesmas e estão direcionando para fora este conflito interno," acrescenta Richard Ryan, coautor do trabalho.

Os resultados fornecem novas evidências empíricas para apoiar a teoria psicanalítica de que o medo, a ansiedade e a aversão que algumas pessoas aparentemente heterossexuais mantêm em relação aos gays e lésbicas podem nascer de seus próprios desejos reprimidos pelo mesmo sexo, diz Ryan.

Conhece-te a ti mesmo

Em todos os estudos, os participantes com pais compreensivos e apoiadores mostraram-se mais em contato com sua orientação sexual implícita, enquanto participantes com pais autoritários revelaram grande discrepância entre a atração sexual explícita e a implícita.

"Em uma sociedade predominantemente heterossexual, 'conhecer-se a si mesmo' pode ser um desafio para muitos indivíduos homossexuais. Mas, em famílias controladoras e homofóbicas, assumir uma orientação sexual minoritária pode ser aterrorizante," explica Weinstein.

Estes indivíduos arriscam-se a perder o amor e a aprovação dos seus pais se admitirem atração pelo mesmo sexo. Assim, a maioria deles nega ou reprime essa parte de si.

Autorreflexão sobre a sexualidade

A incongruência entre as medidas implícitas e explícitas de orientação sexual previu uma grande variedade de comportamentos homofóbicos, incluindo o autorrelato de atitudes anti-gay, hostilidade implícita contra gays, endosso de políticas anti-gay e viés discriminatório, como a atribuição de punições mais severas para os homossexuais, concluem os autores.

"Este estudo mostra que, se você está sentindo esse tipo de reação visceral a um grupo minoritário, pergunte-se a si mesmo, 'Por quê?'," orienta Ryan. "Essas emoções intensas devem servir como um apelo à autorreflexão."

Conduzida por uma equipe das universidades de Essex (Reino Unido), Califórnia e Rochester (EUA), a pesquisa será publicada na edição de abril do Journal of Personality and Social Psychology.


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