Horário do sono varia de região para região

Horário do sono varia de região para região
As variações do pôr do Sol, determinadas pela latitude, influem na tendências das pessoas em acordar mais cedo ou mais tarde.
[Imagem: Wikipedia/Fábio Pinheiro]

Ciclos de sono

"Pessoas que moram perto da linha do Equador têm maior tendência à matutinidade, ou seja, preferência por acordar e dormir cedo. À medida que nos aproximamos dos pólos, os indivíduos vão se tornando mais vespertinos."

A explicação é do professor Mário Pedrazzoli, da Universidade de São Paulo (USP).

Ele acaba de conseguir provar sua hipótese, lançada em 2005, de que a latitude seria um dos elementos reguladores do ciclo de sono e vigília.

Assim, a dificuldade para acordar cedo que algumas pessoas apresentam pode ter outra explicação: além de fatores genéticos e ambientais, essa dificuldade pode ser maior ou menor dependendo da posição geográfica em que se vive.

Sono genético

A equipe coordenada pelo professor Mário já havia publicado na revista internacional Sleep os resultados de uma pesquisa que mostrou associação entre uma determinada variação no gene PER3 e a síndrome da fase atrasada do sono.

"Pessoas com esse distúrbio sentem sono muito mais tarde do que a média da população, por volta de quatro ou cinco horas da madrugada. Isso pode ser um problema para quem precisa acordar cedo", conta ele.

Embora a variação genética associada ao distúrbio do sono possa estar presente em até 10% da população, apenas uma parcela pequena desse grupo desenvolve a síndrome.

"Isso sugere que parte do problema é resultante da genética e parte, do ambiente. Surgiu então a suspeita de que a posição geográfica em que a pessoa vive pudesse influenciar na regulação do sono", disse Mário.

Gosto por dormir

Para testar a hipótese, os pesquisadores entrevistaram 16 mil pessoas de todos os Estados brasileiros por meio de um questionário que ficou disponível na internet entre 2005 e 2007. O levantamento contou com apoio do CNPq.

As perguntas buscavam investigar os horários em que as pessoas preferiam comer, trabalhar, fazer exercícios, dormir e acordar.

A cada resposta era atribuído um valor e a somatória final indicava se o indivíduo era do tipo matutino, vespertino ou intermediário.

Para interpretar os resultados, os cientistas se basearam na teoria de que a alteração entre períodos claros e escuros regula os processos fisiológicos do organismo, como o sono e o apetite. "Segundo essa teoria, quanto mais cedo o indivíduo receber o primeiro sinal luminoso pela manhã, mais cedo ele sentirá sono", explicou Mário.

Latitude e sono

Mas o horário em que o sol nasce em cada cidade não era o único fator que estava influenciando os resultados do estudo.

"Perto do Equador, o dia iluminado dura aproximadamente 12 horas o ano inteiro. Mas, quanto maior a latitude, maior é a variação no período iluminado. Percebemos que essa era a variável que fazia a diferença", explicou.

Isso quer dizer, por exemplo, que embora o sol nasça praticamente no mesmo horário em Natal e em Porto Alegre durante o verão, o pôr do sol acontece mais tarde no Sul do país, estimulando os moradores da região a ficarem acordados mais tempo.

Já no inverno, o sol se põe praticamente no mesmo horário no Norte e no Sul, mas nasce mais cedo em Natal do que em Porto Alegre, estimulando os potiguares a acordar e a dormir mais cedo do que os gaúchos.


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