Humanidade feminina: Sexo masculino poderá desaparecer?

O sexo masculino humano poderá desaparecer da face da Terra.

A teoria de que a metade masculina da humanidade vai perder completamente a batalha entre os sexos é de Jenny Graves, uma cientista da Universidade Nacional Australiana.

Ela acredita que, dentro de cinco milhões de anos, o sexo masculino vai desaparecer porque o cromossomo Y, responsável pelos genes masculinos, é fraco demais, o que o está levando à extinção.

Como a vaidade é típica do ser humano, e muitos cientistas não escapam a uma vontade de aparecer tipicamente adolescente, é comum que muitos deles façam declarações bombásticas para chamar a atenção.

Mas Jenny Graves é conhecida na comunidade científica como pesquisadora séria e pouco dada a declarações controversas.

No entanto, pelo menos no caso deste seu prognóstico, pressagiando uma humanidade feminina, o efeito foi uma desconfiança geral na comunidade científica.

Extinção do cromossomo masculino

As fêmeas e os machos apresentam uma diferença cromossômica. As mulheres têm o par de cromossomos XX, e os homens têm o par XY.

Se, em indivíduos do sexo feminino, um dos cromossomos X sofrer uma mutação, ele pode ser recuperado à custa do outro.

No sexo masculino, no entanto, no caso do cromossomo Y, tal procedimento é impossível.

Todavia, isso só quer dizer que um cromossomo incapaz de funcionar nunca crescerá até à maturidade e, portanto, machos com cromossomos afetados não irão nascer.

"No que diz respeito à questão de quem irá perder, é difícil de responder. Tanto homens como mulheres são determinantes para a mesma espécie - o Homo Sapiens. Se houver quaisquer modificações que afetem a espécie, toda ela irá se deparar com problemas," comentou o diretor geral do Instituto de Células-Tronco, Artur Isaev.

E, para acalmar os mais preocupados com sua masculinidade - ou aquelas que acham que um mundo sem homens vai ficar muito sem graça -, o pesquisador afirma que os cientistas já estão prontos para se contrapor à natureza caso isso realmente aconteça, já tendo criado um cromossomo artificial.

"A vantagem dele consiste na capacidade de permanecer durante um tempo bastante prolongado dentro de células e converter-se em parte constitutiva do genoma. Portanto, a ciência estará em condições para combater fenômenos de tal natureza," afirmou.

Contra a evolução

É claro que a implantação de cromossomos artificiais seria altamente polêmico, com os humanos pela primeira vez tentando impedir a evolução natural da espécie.

Mas, para sustentar sua hipótese de que o sexo masculino humano vai desaparecer, e que isto aconteceria em um período - 5 milhões de anos - que é muito curto para a história da vida na Terra - a pesquisadora precisaria apontar um exemplo de outra espécie em que isto já teria acontecido. E esse exemplo parece não existir.

Afinal, os pares de cromossomos XX e XY não existem só no Homo Sapiens e, os animais mamíferos apareceram no planeta muito antes do homem.

"O dimorfismo sexual relacionado com os cromossomos Y observa-se não só em seres humanos, mas também em animais mamíferos, em vertebrados que existem há muitos milhões de anos. Não há prova alguma de que estejam em extinção. Porém, o mais importante é que tudo isso não faz sentido, pois não se pode verificar nada," contesta Konstantin Severinov professor do Instituto das Ciências e Tecnologias de Skolkovo, na Rússia, que comentou a proposta da australiana.

Sumiço das mulheres

Na verdade, os demógrafos vêm debatendo um fato oposto - nos últimos anos foi registrado um número maior de nascimento de homens.

Assim, nas próximas décadas, será a falta de mulheres que poderá exercer uma pressão sobre a humanidade.

Especialistas da ONU publicaram recentemente um documento em que constatam que uma distribuição desigual de sexos a nível mundial não tem nada a ver com a evolução biológica, estando diretamente vinculada com o incremento de migrações e o aumento da prostituição.

Há também outros estudos indicando que o desequilíbrio entre a quantidade de homens e mulheres no planeta pode conduzir a novas guerras. E, infelizmente, muito mais cedo que dentro de cinco milhões de anos.

Assim, parece que a Dra. Jenny Graves passou rapidamente, de sua posição reconhecidamente séria e ponderada, para o rol dos cientistas que ficam famosos por suas profecias atrapalhadas.


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