Identificada assinatura molecular do vírus zika

Identificada assinatura molecular do vírus zika
Estrutura externa do vírus zika, que ataca células-tronco cerebrais.
[Imagem: Kuhn/Rossmann Labs/Universidade Purdue]

Biomarcadores do zika

Em estudo inédito, pesquisadores da Unicamp e da Rede de Imunologia de Cingapura identificaram biomarcadores associados a complicações neurológicas provocadas pelo vírus zika.

Biomarcadores são moléculas que sinalizam a presença ou a ação do vírus e que podem ser detectadas por meios de exames.

"Tão importante quanto identificar os biomarcadores foi abrir perspectivas para novas pesquisas que permitam compreender os mecanismos de ação do vírus e os fatores associados a manifestações clínicas graves. Conhecendo melhor esse agente patogênico, teremos mais chance de combatê-lo," explicou o professor Fábio Trindade Costa, um dos coordenadores do estudo.

A descoberta é tão significativa que a equipe depositou um pedido de patente para a detecção da infecção pelo zika, com vistas ao futuro desenvolvimento de tecnologias para realizar os exames de forma rápida e confiável.

Assinatura molecular

Os pesquisadores analisaram amostras sorológicas dos voluntários - homens, mulheres, grávidas e recém-nascidos -, com o propósito de responder a três perguntas principais.

A primeira delas era se o infectado pelo vírus apresentava alguma assinatura molecular, ou seja, se tinha em seu sistema imunológico alguma molécula diferente daquelas encontradas no sistema de uma pessoa não infectada. A segunda questão foi se também haveria algum biomarcador específico nos pacientes adultos que desenvolveram síndrome neurológica, perto de 10% do total. Por fim, a terceira pergunta era se os cinco recém-nascidos do grupo que desenvolveram síndrome neurológica apresentavam igualmente uma assinatura molecular particular.

"Para as três perguntas, tivemos a mesma resposta, que foi 'sim'. Os pacientes infectados e os que desenvolvem anomalias decorrentes da ação do vírus apresentaram um conjunto de moléculas que se diferencia das moléculas presentes no organismo das pessoas que não foram infectadas pelo vírus zika," explicou Trindade.

A descoberta, segundo o docente, pode contribuir para que a medicina faça prognósticos mais seguros sobre o quadro da pessoa infectada. Dependendo dos níveis dos marcadores, os médicos terão uma indicação sobre o possível agravamento ou não do estado do paciente, o que permitirá uma intervenção mais precoce.

Causa ou consequência

Outra contribuição importante do estudo, destaca o professor José Luiz Modena, é que, a partir dele, é possível vislumbrar novas investigações: "Ainda precisamos saber, por exemplo, se esses biomarcadores são causa, consequência ou se são ao mesmo tempo causa e consequência das anomalias. Ao esclarecermos essas dúvidas, teremos mais informações para combater o vírus."

Um dos maiores enigmas sobre os problemas neurológicos associados com o vírus zika é que nem todos os bebês expostos ao zika apresentam microcefalia ou outras complicações graves.


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