INCOR desenvolve aparelho de assistência cardíaca para crianças

INCOR desenvolve aparelho de assistência cardíaca para crianças
Os equipamentos serão paracorpóreos (implantados fora do corpo) e auxiliarão o coração dos pacientes a realizar o bombeamento do sangue.
[Imagem: Agência Fapesp]

Crianças em estágios avançados de insuficiência cardíaca e na fila por um novo coração nos hospitais do país poderão receber, nos próximos anos, um coração "extra" para suportar o tempo de espera até a chegada de um doador.

Pesquisadores do Instituto do Coração (Incor) estão desenvolvendo aparelhos capazes de servir de "ponte" enquanto os pacientes pediátricos aguardam o transplante.

Um dos aparelhos, conhecidos como DAVs (Dispositivos de Assistência Ventricular) voltado a crianças com até 15 quilos, deverá entrar em fase de testes clínicos no Incor já nos próximos meses.

"Os dispositivos poderão servir tanto de ponte para pacientes pediátricos esperarem pelo transplante, como para dar assistência circulatória mecânica por alguns meses para aqueles internados com cardiomiopatias graves, que não respondem a outras terapias médicas e com uma diminuição importante da capacidade de o coração bombear sangue para órgãos vitais", disse Idágene Cestari, diretora da Divisão de Bioengenharia do Incor e coordenadora do projeto.

Os equipamentos serão paracorpóreos (implantados fora do corpo) e auxiliarão o coração dos pacientes a realizar o bombeamento do sangue.

De acordo com Cestari, é por isso que são chamados de dispositivos de assistência ventricular - e não "coração artificial", como os que substituem e realizam a função do órgão.

"Essa é uma diferença importante dos DAVs em relação ao coração artificial, porque o coração é mantido em atividade e o dispositivo trabalha de modo a auxiliar o órgão a realizar a circulação sanguínea", explicou.

Os aparelhos são constituídos por uma bomba com duas câmaras - uma de sangue e outra pneumática - ligadas a cânulas de silicone, que serão suturadas nas estruturas cardíacas e exteriorizadas na região abdominal do paciente.

À medida que o sangue do paciente preenche a câmara de sangue, um pulso de pressão é enviado para a câmara pneumática, que faz com que o sangue retorne para o paciente, realizando desta forma o trabalho do coração e restabelecendo a pressão e a circulação sanguínea.

"Só existe um dispositivo pulsátil desse tipo, aprovado para uso clínico em pacientes pediátricos nos Estados Unidos em dezembro de 2011, que é fabricado por uma empresa alemã e é inviável para nós, no Brasil, em razão de seu custo, em torno de R$ 250 mil. Pretendemos desenvolver DAVs para uso em pacientes pediátricos no Brasil que possam ser integrados à nossa prática médica", disse Cestari.

Na avaliação da pesquisadora, além de contribuir para a implantação desse tipo de terapia praticamente inexistente no país, o desenvolvimento dos DAVs pediátricos deverá contribuir para aumentar as chances de realização de transplante cardíaco de crianças que aguardam na fila de espera por um doador.


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