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14/01/2012

Indústria do tabaco adulterou perigos dos aditivos de cigarros

Elizabeth Fernandez
Indústria do tabaco adulterou perigos dos aditivos de cigarros
O Dr. Stanton Glantz liderou o estudo independente que avaliou documentos obtidos pela justiça junto à fabricante de cigarros Philip Morris, dos Estados Unidos.[Imagem: UCSF]

Risco dos aditivos

Uma nova análise de documentos da indústria do tabaco mostrou que a Philip Morris USA manipulou dados sobre os efeitos de aditivos em cigarros, incluindo o mentol, mascarando os níveis reais de toxicidade e elevando os riscos de doenças cardíacas, câncer e outras doenças dos fumantes.

As informações da indústria do tabaco não podem ser tomadas pelo valor de face, concluíram os cientistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco.

Eles afirmam que o trabalho fornece evidências claras de que milhares de aditivos, incluindo o mentol, devem ser eliminados dos cigarros em benefício da saúde pública.

O artigo foi publicado na revista médica PLoS Medicine.

Toxinas

No novo estudo independente, os cientistas reavaliaram dados do "Projeto MIX", da Philip Morris, que detalhou análises químicas da fumaça e estudos toxicológicos em animais de 333 aditivos contidos nos cigarros.

Investigando as origens e o formato do Projeto MIX, os pesquisadores conduziram sua própria análise dos resultados da Philip Morris.

Eles destacam que muitas das toxinas presentes na fumaça dos cigarros aumentaram substancialmente depois que os aditivos foram adicionados aos cigarros.

Eles também descobriram, depois de obter evidências de que os aditivos elevaram a toxicidade, que os cientistas da indústria do fumo ajustaram seu protocolo para apresentar seus resultados de uma forma que obscurece esses aumentos.

"Nós descobrimos essas alterações post-hoc nos protocolos analíticos depois que os cientistas da indústria verificaram que os aditivos aumentaram a toxicidade dos cigarros ao aumentar o número de partículas finas na fumaça do cigarro que causam doenças do coração e outras doenças," afirma Stanton A. Glantz, autor sênior do estudo.

"Quando nós fizemos nossa própria análise, estudando os aditivos por cigarro - seguindo o protocolo original da Philip Morris - nós descobrimos que 15 compostos químicos carcinogênicos aumentaram em 20% ou mais," disse ele.

Manipulação dos estudos

Adicionalmente, no estudo independente, os pesquisadores descobriram por que os estudos da Philip Morris não identificaram muitos dos efeitos tóxicos nos estudos em animais: seus estudos foram pequenos demais.

"O experimento era pequeno demais, em termos do número de ratos analisados, para detectar estatisticamente mudanças importantes nos efeitos biológicos," diz Glantz. "A Philip Morris reduziu o valor de seus próprios estudos."

Os resultados do "Projeto MIX" foram inicialmente publicados na forma de quatro artigos na edição de 2002 da Food and Chemical Toxicology, uma revista científica cujo editor e vários membros da equipe editorial tinham ligações financeiras com a indústria do tabaco.

Enquanto a Philip Morris estava tentando publicar seus artigos, o cientista da companhia que liderou o Projeto MIX enviou um email para um colega descrevendo o processo de revisão pelos pares como "um trabalho interno".

No novo estudo, os pesquisadores usaram documentos tornados públicos como resultado de uma ação legal contra a indústria do tabaco. Os documentos estão disponíveis para o público na Legacy Tobacco Documents Library, na Universidade da Califórnia, em São Francisco, ou no endereço http://legacy.library.ucsf.edu/.


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