Evento vai discutir infecções em recém-nascidos e crianças

Infecções em crianças

Desde cedo, algumas crianças apresentam suscetibilidade a infecções de diversas naturezas, provocadas principalmente por bactérias e vírus.

Embora em algumas situações o problema seja de pequena gravidade, a repetição prolongada e a evolução de quadros infecciosos podem indicar distúrbios em um ou mais componentes do sistema imunológico.

Trata-se de uma imunodeficiência primária, cujo diagnóstico ainda desafia médicos e pesquisadores.

Imunodeficiências Primárias

Entender e fazer uma revisão crítica sobre os mecanismos de resistências às infecções bacterianas e virais é um dos principais objetivos do evento Escola São Paulo de Ciência Avançada sobre Imunodeficiências Primárias: Desvendando a fisiologia imunológica humana.

Durante uma semana - de 28 de novembro a 4 de dezembro de 2010 - jovens pesquisadores do Brasil e do exterior terão a oportunidade de discutir o assunto com alguns dos principais imunologistas no mundo, além de trocar experiências com outros estudantes e profissionais recém-formados. Cinquenta pós-graduandos e pós-doutorandos da área de ciências biomédicas e biológicas serão selecionados, sendo 25 do Brasil e 25 de outros países.

Organizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em parceria com o Instituto Gulbenkian de Ciência, de Portugal, o evento terá conferências, minicursos com aulas práticas ligadas à genômica, apresentações e discussão de casos clínicos. O local será o Instituto da Criança da FMUSP e as inscrições se encerram em 20 de setembro.

Medicina translacional

A finalidade da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) é criar oportunidades para que cientistas de São Paulo organizem cursos com a participação de colegas estrangeiros e que tragam ao Estado jovens estudantes ou pós-doutores de outros países e regiões, possibilitando a interação com estudantes e pesquisadores locais e o debate de temas científicos avançados.

De acordo com Magda Carneiro-Sampaio, professora do Departamento de Pediatria da FMUSP e uma das organizadoras do evento, um dos focos será discutir e difundir no Brasil na área da imunologia a medicina translacional, que procura aproximar a ciência básica da aplicação clínica.

"Muito do que se sabe, principalmente em imunologia, é derivado do entendimento dos modelos experimentais em camundongos. A pesquisa básica nessa área avança a passos largos, mas ainda são raros os casos em que as descobertas feitas em modelos experimentais são transformadas em terapias", disse ela.

Doenças pediátricas

A proposta da Escola São Paulo de Ciência Avançada sobre Imunodeficiências Primárias segue um caminho inverso ao dos modelos experimentais, ou seja, visa a estudar os pacientes com imunodeficiências primárias como modelos para se entender a imunologia.

"As imunodeficiências primárias são doenças predominantemente pediátricas. São definidas com base na grande suscetibilidade que os pacientes têm a infecções. Muitas delas apresentam defeitos nos mecanismos de regulação que provocam alergias e inflamações exageradas", explicou.

Um segundo ponto a ser abordado na Escola será a revisão dos mecanismos de tolerância. "O sistema imune reage ou deve reagir aos agentes externos infecciosos, embora não aos próprios. Mas existe a situação de autoagressão: as chamadas doenças autoimunes, que atingem cerca de 8% da população adulta. Entre elas, as mais comuns são artrites, tireoidites, vitiligo e diabetes mellitus tipo 1. Vamos rever os mecanismos de tolerância aos próprios antígenos por meio dessas doenças", destacou.

Paradigmas da Medicina

Para Carlos Alberto Moreira, coordenador do Laboratório de Genômica Pediátrica da FMUSP, que conduzirá a parte laboratorial do curso, a medicina vem mudando de paradigma.

"Estamos saindo de tratamentos empíricos para outros baseados no mecanismo molecular da doença. E a nossa capacidade de intervenção não está somente após a manifestação clínica, mas tem ocorrido cada vez mais cedo. Nesse sentido, a medicina está caminhando para uma fase de terapia individualizada", disse.

De acordo com Moreira, outro alvo da escola é mostrar as tecnologias da genômica para entender as doenças autoimunes. "Vamos disponibilizar ferramentas modernas de análise que usamos em nossas pesquisas. Os alunos poderão observar como extraímos os dados a partir do trabalho clínico com pacientes, o que fazemos com esse material, como obtemos informações e como fazemos as análises genômicas", explicou.

Seleção e participação

Os alunos estrangeiros e dez brasileiros de outros Estados receberão auxílio para compra de passagem, hospedagem e refeições. Os de São Paulo terão auxílio para refeições. O curso terá uma carga horária de 50 horas. De acordo com Magda Carneiro, a organização está tentando credenciar o curso junto ao departamento de Pós-Graduação da Pediatria da FMUSP, para que o total da carga horária seja equivalente a três créditos cursados.

Para a seleção, cada candidato deverá enviar um e-mail contendo informações acadêmicas - incluindo instituição, orientador e dados pessoais -, uma carta explicando motivações para participar do curso, resumo do atual projeto de pesquisa, currículo e uma carta de recomendação.

"É necessário que o interessado justifique, na carta de apresentação, a candidatura em relação às expectativas quanto à Escola, apontando como ela se relaciona com sua pesquisa e atividades acadêmicas ou profissionais", acrescenta ao destacar que o evento reunirá um contingente de médicos que fazem ciência básica e outros que realizam pesquisa experimental.

Aulas práticas laboratoriais

A Escola São Paulo de Ciência Avançada sobre Imunodeficiências Primárias contará com conferências, apresentação e análises de casos clínicos e aulas práticas laboratoriais. Serão 19 conferencistas: nove brasileiros e dez de outros países.

Segundo Magda, uma das conferências de abertura será proferida pelo pesquisador brasileiro Antonio Coutinho, diretor do Instituto Gulbenkian e um dos organizadores do evento, que abordará o tema "Evolução e desenvolvimento da tolerância natural no contexto de proteção anti-infecciosa".

"Coutinho abordará a parte translacional. Ele transita nas duas áreas, faz a parte experimental, mas com um pé na análise clínica", disse. Outro destaque é Diane Mathis, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que abordará o fator AIRE.

"Esse mecanismo é essencial para a chamada tolerância aos autoantígenos. Os linfócitos jovens que, durante sua diferenciação no timo, reconhecem os autoantígenos (que estão lá pela ação do AIRE) são 'marcados para morrer', isto é entram em apoptose. Não foi a Diane quem descobriu o gene AIRE, mas ela é hoje a maior estudiosa desse fenômeno de tolerância central, em que um gene exerce um papel crucial", explicou.

Ferramentas genômicas

Sergio Rosenzweig, dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), dos Estados Unidos, tratará das imunodeficiências primárias e doenças microbacterianas, a partir de um modelo específico para se entender a suscetibilidade aos microrganismos.

Além das conferências, Magda destaca as atividades laboratoriais em que os alunos apresentarão e discutirão estudos de casos. "Eles serão divididos em três grupos com cerca de dez alunos cada para discutir os temas e casos propostos, fundamentalmente a partir de ferramentas genômicas", disse.

Mais informações sobre a Escola São Paulo de Ciência Avançada sobre Imunodeficiências Primárias podem ser obtidas no site www.icr.usp.br/espca-pid ou pelo e-mail thais.scudelletti@icr.usp.br.


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