Isso não é perdão, é punição

Perdão ou vingança?

O conceito de perdão parece andar deteriorado - ou deteriorando-se. Pelo menos na compreensão que alguns cientistas parecem ter dele.

Psicólogos da Universidade de Adelaide (Austrália) concluíram que é mais fácil para as pessoas perdoarem alguém quando esse alguém sofre alguma forma de punição.

O Dr. Peter Strelan afirma vir estudando o perdão na tentativa de entender melhor como as pessoas podem resolver conflitos pessoais.

"Justiça e perdão são frequentemente considerados como opostos, mas descobrimos que as vítimas que punem seu agressor são mais capazes de perdoar e seguir em frente," diz o Dr. Strelan.

Mas será que isso pode ser chamado de perdão? Não seria mais semelhante ao seu oposto, a vingança?

Perdão funcional

"A punição pode assumir muitas formas diferentes. Pode-se dar a alguém o 'tratamento silencioso', o que em si mesmo é um castigo psicológico muito poderoso. Ou, no caso de um agressor criminoso, saber que um tribunal impôs uma sentença razoável e que a justiça está sendo feita pode ser o suficiente para algumas pessoas perdoarem," prossegue ele.

"Quando você é ferido por alguém, você naturalmente se sente vulnerável, e a simples ideia de perdoar esse alguém também faz a vítima sentir-se vulnerável. Quando alguma forma de punição está envolvida, a vítima se sente fortificada pela punição e é mais capaz de perdoar," analisa o pesquisador.

Ele reconhece que a punição não deve ser extrema ou vingativa, porque isso não iria ajudar a reparar os danos no caso de um relacionamento, podendo até mesmo piorar as coisas.

"Para o perdão realmente funcionar, deve haver um sentimento de que as respostas negativas para com um transgressor estão sendo substituídas por pensamentos positivos. Não se trata de retaliação, trata-se de responder de forma construtiva e fazer algo sobre o mau comportamento das pessoas em relação a você, de uma forma que funcione para ambas as partes envolvidas no conflito," diz ele.

O que é perdão

Segundo o dicionário, perdão é a renúncia às consequências punitivas que seriam justificáveis em face de uma ação de transgressão em qualquer nível.

O perdão é concedido sem qualquer expectativa de compensação e pressupõe a eliminação de qualquer exigência de pena ou castigo.

Talvez o Dr. Strelan pudesse então se referir a uma forma intermediária de sentimento, eventualmente uma compreensão do erro do outro em face de ele ou ela ter arcado com as consequências.

Outros estudos já demonstraram que não é necessário haver punição, bastando haver um arrependimento verdadeiro por parte do "infrator" para que o perdão seja concedido e a confiança restaurada.


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