Jovens assumem responsabilidade excessiva pela qualidade do trabalho

Desprofissionalização

Inumeráveis gurus de negócios, cada um com sua própria coleção de livros sobre a chamada "auto-ajuda profissional", doutrinaram uma geração inteira de jovens trabalhadores com um discurso liberal radical sobre profissionalização que coloca a responsabilidade de tudo no ombro dos próprios jovens.

Agora os psicólogos se debatem em busca de soluções para tratar essa geração de trabalhadores à medida que eles se dão conta de que não têm todo o poder e nem toda a responsabilidade que lhes foram atribuídos.

"É realmente sério quando os jovens sentem que devem assumir toda a responsabilidade pela sua própria condição de trabalho. O empregador, é claro, tem uma grande responsabilidade pela criação de boas condições de vida profissional e não se deve esperar que os jovens assumam uma responsabilidade tão grande," disse a professora Maria Bostrom, da Universidade de Gotemburgo e da Academia Sahlgrenska (Suécia).

Capacidade de trabalho

O que os dados da especialista mostram é que os jovens veem-se como os únicos responsáveis pela manutenção das condições de trabalho, mesmo quando o trabalho muda e passa a exigir novos conhecimentos e novas motivações.

Outra consequência crucial é que esses adultos jovens passam a agir em relação à sua vida profissional como se ela ocupasse toda a sua vida, sem lugar para suas vidas privadas.

Em uma das pesquisas conduzidas pela professora Bostrom, 24 pessoas com idades entre 25 e 30 anos foram entrevistadas em profundidade sobre sua percepção de sua própria capacidade de trabalho e das suas condições de trabalho, e como sua qualidade de vida profissional flutua ao longo do tempo.

"Eles acreditam que isso depende deles: 'Eu sou aquele que tem que experimentar a vida profissional como algo significativo e eu sou aquele que tem que possuir conhecimento e então ser capaz de resolver tudo eu mesmo'. Acredito que é lamentável que eles percebam as coisas dessa maneira," disse ela.

Baixa expectativa

"Eles percebem que, se o chefe é amigável, acolhedor e fornece apoio, o ambiente de trabalho melhora, mas eles não esperam que o patrão crie condições para uma boa qualidade do trabalho. O papel da união nesse contexto não foi mencionado nenhuma vez nas entrevistas," observa Maria Bostrom.

Ela enfatiza conceitos como apresentação inicial ao trabalho, orientação e mentoria, ferramentas que devem ser desenvolvidas para que os jovens ingressem de forma correta na vida profissional.

"Há muitos envolvidos que podem ser importantes para que as pessoas possam entrar e lidar com a vida profissional. É preciso saber quando se pode falar e quando se deve falar, por exemplo, quando se tem trabalho demais. Além disso, os jovens adultos valorizam um equilíbrio entre o trabalho e o lazer, o que beneficia a recuperação e a capacidade de trabalho," concluiu Maria Bostrom.


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