Leishmaniose humana pode ser combatida com droga veterinária

Leishmaniose visceral humana pode ser combatida com droga veterinária
Pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz consegue ação eficaz contra leishmania ao direcionar para os órgãos infectados uma droga originalmente aplicada contra parasitoses em animais. Na ilustração, modelo do lipossoma.
[Imagem: Ag.Fapesp]

150 vezes melhor

Um fármaco empregado na clínica veterinária está se mostrando promissor também para o tratamento em humanos.

A buparvaquona é uma droga de uso clínico veterinário empregada contra uma parasitose, principalmente na Europa.

Mas testes realizados por pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, estão demonstrando que ela é eficaz também contra a leishmaniose visceral.

Os estudos, ainda feitos em cobaias, mostraram que a buparvaquona tem eficácia semelhante à do medicamento padrão utilizado contra a leishmaniose, mas exigindo uma dose 150 vezes menor.

Lipossomas

A atividade anti-leishmania da buparvaquona foi revelada pela primeira vez em um estudo publicado em 1992.

No entanto, os testes na ocasião foram feitos com a leishmaniose visceral provocada pela Leishmania donovani - o parasita predominante em países como a Índia. No Brasil, predomina a Leishmania chagasi.

"Essa droga foi perseguida por muitos anos pelo pessoal da área de parasitologia, que a tentava fazer funcionar, pois ela mostrava alta eficiência in vitro. O ineditismo da nossa contribuição consistiu em fazer a droga funcionar em modelos animais com a ajuda dos lipossomas", contou André Gustavo Tempone, orientador do trabalho.

Lipossomas são vesículas esféricas utilizadas para dirigir o fármaco, de forma controlada e com maior precisão, até a célula infectada.

Os pesquisadores utilizaram lipossomas convencionais - e não nanolipossomas - para que a formulação fosse mais simples. "Pensamos nas necessidades da indústria, que poderá no futuro produzir a droga. Por isso, tivemos a preocupação de fazer a formulação mais simples possível, para facilitar o escalonamento", disse.

Fígado e baço

A formulação utilizada incluiu o uso de um fosfolipídio modificado que confere um direcionamento maior para a célula hospedeira - na leishmaniose esta célula é o macrófago, presente no fígado e baço do animal.

"O fármaco reduziu em 89% a carga parasitária no baço e em 67% a carga de parasitas no fígado. O mais importante, no entanto, é que para conseguir a mesma eficácia do glucantime - que é a droga padrão contra a leishmaniose - utilizamos uma dose 150 vezes menor.

"Esse tipo de estudo - conhecido como piggy-back chemotherapy -, embora não traga inovação no aspecto de descoberta de novas drogas, é importante do ponto de vista da saúde pública devido à possibilidade de colocar fármacos no mercado com mais rapidez. Como se trata de uma droga que já está no mercado, podemos dispensar, por exemplo, os testes de toxicidade. Começamos assim a desenvolver a nova aplicação a partir de uma fase mais avançada", explicou.


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