Quem quiser viver mais, levante-se

Levante-se para viver mais
Já existem mesas de escritórios que permitem trabalhar de pé e até sugerem descansos.
[Imagem: Ergon Desk/Divulgação]

Esperando sentado

Até 4% das mortes precoces no mundo poderiam ser evitadas apenas reduzindo o tempo que as pessoas permanecem sentadas ao longo do dia.

A conclusão é de uma equipe de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e da Universidade Federal de Pelotas (RS).

"No limite, reduzindo o tempo sentado em até 3 horas por dia, seriam evitadas 4% de mortes. Entretanto, reduções mais singelas já repercutiriam em grandes ganhos em saúde pública," explica o pesquisador Leandro Fórnias de Rezende.

"Por exemplo, reduzindo em 2 horas/dia o tempo que ficamos sentados seriam evitadas 2% das mortes; se for uma redução de 1 hora/dia, teríamos 1,2% a menos de mortes," acrescentou.

Mecanismos biológicos do corpo

A grande questão é: por que permanecer muito tempo sentado eleva o risco de morte e diminui a longevidade?

"Existem alguns mecanismos biológicos do corpo que explicam isso. Ficar muito tempo sentado diminui a expressão de óxido nítrico do organismo [relacionado com algumas funções celulares e ao aumento do estresse oxidativo]. Isso leva ao aumento do risco de alterações cardiovasculares.

"Ocorre também a diminuição da ativação de uma enzima, a lipase lipoproteica, que é importante no metabolismo oxidativo, no controle de triglicérides, colesterol e outros fatores de risco metabólicos", explica Leandro.

Mas a relação entre tempo sentado e morte não é linear: para quem fica sentado entre 4 e 7 horas por dia, o risco de morte aumenta em 2% para cada hora sentado. "Por exemplo, ficar sentado 4 horas, aumenta o risco em 2%; 5 horas, 4%; 6 horas, 6%; 7 horas, 8%. A partir de 7 horas sentado, o risco aumenta para 5%; 8 horas, 13%; e 9 horas, 18%", esclarece o pesquisador.

Como ficar mais de pé

Os pesquisadores são realistas quanto à dificuldade de se reduzir o tempo que as pessoas permanecem sentadas, principalmente nas grandes cidades, onde é comum encontrar quem gaste mais de três horas diárias apenas no percurso entre a casa e o trabalho, sem contar o tempo de expediente.

"Sempre que possível, as pessoas poderiam adotar algumas estratégias como ficar de pé, ir buscar água ou café. Uma reunião entre duas pessoas poderia ser feita caminhando lentamente", sugere. Ele lembra também que já existem no mercado mesas de trabalho que permitem o controle de altura e possibilitam trabalhar em pé.


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