Ver:

 Temas
 Enfermidades





RSS Diário da Saúde

Twitter do Diário da Saúde

15/11/2012

Cientista propõe exigência de licença para fumar

Com informações da BBC
Cientista propõe licença para fumar
Indústria do fumo busca cada vez mais as mulheres jovens.[Imagem: BBC]

Licença para morrer

Se você é fumante, como encararia ter que se cadastrar e pagar por uma licença para poder comprar cigarro?

O processo de cadastramento poderia até incluir um exame para descobrir se você entendeu os riscos do tabagismo, e sua licença, registrada em um cartão magnético, iria limitar suas compras - talvez a 50 cigarros por dia ou menos.

Pode soar como uma medida extrema, eventualmente até ser acusada de engenharia social, mas esta é a proposta de um especialista em saúde pública da Austrália, que sugere que a medida poderia proporcionar um "desincentivo" prático para os fumantes.

O professor Simon Chapman, da Universidade de Sidnei, está interessado na próxima geração de medidas antitabagismo verdadeiramente eficazes.

Ao apresentar sua proposta para uma licença para fumantes na última edição da revista PLoS Medicine, ele disse que a medida poderia ser do interesse de "nações de alta renda, que estão ativamente perseguindo objetivos de controle do tabaco".

Marketing da morte

Um bilhão de pessoas neste século deverão morrer de doenças relacionadas ao fumo, de acordo com um artigo muito citado, publicado na revista Nature em 2001.

No entanto, apesar dos números de mortalidade, o Prof. Chapman diz que ainda não há um controle suficiente de derivados do tabaco, que podem ser vendidos por qualquer varejista.

"Em contraste com a maneira altamente regulamentada para a venda de medicamentos que salvam vidas e melhoram a saúde, é assim que regulamos o acesso a um produto que mata metade de seus usuários a longo prazo," escreveu o Prof. Chapman na introdução do seu artigo.

"Parece ser necessário corrigir esta inconsistência bizarra, mas histórica," defende ele.

Pare de fumar e pegue seu dinheiro de volta

A licença que o professor Chapman propõe seria um cartão magnético que os fumantes teriam que obter, de forma semelhante a uma carteira de motorista.

Nenhum varejista poderia vender produtos de tabaco a ninguém que não tivesse o cartão.

"As penalidades para venda a pessoas não licenciadas seriam severas," propõe ele, "como a ameaça da perda da licença de funcionamento, como ocorre hoje no caso de medicamentos restritos vendidos sem receita médica."

Cada fumante licenciado teria seu próprio limite diário de cigarros e, claro, teria que se submeter ao inconveniente da renovação periódica da sua licença.

Ele também sugere uma recompensa financeira para os fumantes que deixarem o vício.

"Como um incentivo para largar o cigarro, todas as taxas de licença pagas durante a história de um fumante licenciado seriam totalmente reembolsáveis, com juros compostos," explica ele. "[E] a entrega da licença seria permanente e não seria permitido recadastrar-se".

Prova para fumantes

O pesquisador propõe em seu artigo algumas questões que poderiam fazer parte da prova para que uma pessoa se cadastrasse como fumante:

  • Se 100 pessoas forem diagnosticadas hoje com câncer de pulmão, quantas estariam vivas daqui a cinco anos?
  • Qual fração de fumantes você acha que vai morrer mais cedo por causa do seu vício?
  • Em média, quanto tempo mais os não-fumantes vivem do que as pessoas que fumaram por um longo tempo?
  • Um fumante de longo prazo que vai morrer de uma doença causada pelo vício pode esperar perder quantos anos de sua expectativa de vida normal?
  • Quantos agentes cancerígenos conhecidos (produtos químicos que são conhecidos por causar câncer) existem na fumaça do cigarro?


Ver mais notícias sobre os temas:

Tabagismo

Sistema Respiratório

Ética

Ver todos os temas

Mais lidas na semana:

Ultrassom no 1º trimestre de gravidez pode agravar autismo

Os muitos mitos sobre as Dores nas Costas

Carne e barbatana de tubarão contêm altos níveis de neurotoxinas

Dor de cabeça: Conheça aquelas que exigem tratamento

Medicamento desenvolvido no Brasil combate origem da hipertensão