Mastectomias duplas disparam: quase sempre sem benefícios

Mastectomias duplas disparam: quase sempre sem benefícios
"Parece lógico que a cirurgia mais agressiva deva ser melhor no combate à doença, mas não é assim que o câncer de mama funciona," afirma a Dra. Reshma Jagsi.
[Imagem: Universidade de Michigan]

Riscos do segundo câncer

Quase metade das pacientes com câncer de mama em estágio inicial avaliou seriamente a possibilidade de submeter-se a uma mastectomia dupla. E uma em cada seis efetivamente se submeteu ao procedimento.

O problema é que muitas dessas pacientes que optaram pela mastectomia dupla tinham baixo risco de desenvolver um segundo câncer de mama.

De fato, várias das pacientes que optaram pela cirurgia radical demonstraram pouco conhecimento sobre a ausência de benefícios que este procedimento agressivo tem para a maioria das pacientes.

"Que 1 em cada 6 pacientes com câncer de mama escolham a mastectomia bilateral é realmente impressionante. Sabíamos que [a opção pela cirurgia] estava aumentando, mas eu não acho que muitos de nós se deu conta do quanto isto se tornou frequente," disse a Dra. Reshma Jagsi, da Universidade de Michigan (EUA), principal autora do estudo.

Mastectomia profilática contralateral

A mastectomia profilática contralateral, na qual a mama saudável é removida juntamente com a mama cancerosa, tem aumentado na última década, em parte alimentada pelas histórias de celebridades e pelos compartilhamentos de opiniões pelas mídias sociais - geralmente opiniões leigas, ainda que bem-intencionadas.

O procedimento agressivo é frequentemente recomendado para mulheres com uma mutação genética que as coloca em alto risco de desenvolver um segundo câncer. Mas, para as mulheres com risco médio ou baixo, a cirurgia oferece pouco ou nenhum benefício.

A Dra. Reshma Jagsi entrevistou 2.578 mulheres que tinham passado por cirurgias para tratar um câncer de mama em estágio inicial em uma mama - 44% delas disseram considerar a possibilidade de passar por uma mastectomia dupla.

Sem conhecimento e sem benefício

De acordo com a pesquisadora, o fator preocupante nisto é que as respostas demonstraram que as pacientes tinham pouca compreensão dos benefícios da cirurgia.

Entre as pacientes que consideravam a mastectomia dupla, apenas 38% sabiam que ela não melhora a sobrevida para todas as mulheres com câncer de mama. Quase todas as pacientes disseram que a "paz de espírito" as motivava a escolher a mastectomia dupla.

"Num momento em que as emoções estão a toda, não é de estranhar que as pacientes recém-diagnosticadas com câncer da mama possam ter dificuldade em absorver essas informações complexas. Parece lógico que a cirurgia mais agressiva deva ser melhor no combate à doença, mas não é assim que o câncer de mama funciona. É um verdadeiro desafio de comunicação," disse a Dra. Jagsi.

Os resultados foram publicados na revista médica JAMA Surgery.


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