Medicamento desenvolvido no Brasil combate origem da hipertensão

Medicamento desenvolvido no Brasil combate origem da hipertensão
Medicamento desenvolvido por pesquisadores da USP combate a hipertensão em sua origem.
[Imagem: Wikimedia Commons/Grays Anatomy Book]

Origem da hipertensão

Um medicamento capaz de combater a hipertensão arterial por um mecanismo inovador está em fase adiantada de testes por uma equipe que reúne pesquisadores brasileiros, ingleses e neozelandeses.

Os resultados mais recentes dos ensaios pré-clínicos com o fármaco - por enquanto denominado MK-7264/AF-219 - foram divulgados na revista Nature Medicine.

Os testes em humanos já estão sendo planejados na Inglaterra. Caso a terapia se mostre eficaz e segura, poderá beneficiar também pacientes com hipertensão resistente, ou seja, que não respondem aos tratamentos farmacológicos atualmente disponíveis.

Receptores purinérgicos

O medicamento é resultado de um trabalho de 20 anos da equipe do professor Benedito Machado, da USP, e de seu colega Julian Paton, da Universidade de Bristol (Inglaterra). Em cooperação, eles conseguiram caracterizar os receptores purinérgicos e o controle cardiovascular envolvidos na hipertensão.

"Este novo medicamento atua bloqueando uma classe de receptores celulares conhecidos como P2X3, ou receptores purinérgicos, presentes em um órgão chamado corpúsculo carotídeo, localizado nas artérias carótidas. Essas células estão anormalmente ativadas em indivíduos hipertensos", explicou o professor Benedito Machado, da USP.

De acordo com o pesquisador, o medicamento impede que o receptor P2X3 seja ativado pelo seu "ligante", o ATP (adenosina trifosfato, molécula que armazena energia para as atividades celulares). Isso faz com que as células do corpúsculo carotídeo, que nos hipertensos estão hiperativas, voltem ao padrão de atividade considerado normal.

Tosse crônica

O novo medicamento também terá outras aplicações.

Já há testes clínicos em andamento com o composto para o tratamento de tosse crônica, condição também relacionada à hiperatividade dos receptores purinérgicos. "O composto já foi aprovado nos primeiros testes para avaliação de toxicidade e já se encontra em fase adiantada dos ensaios clínicos", contou o professor Machado.


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