Medicamento inteligente combate câncer no cérebro

Câncer no cérebro

Um grupo internacional de cientistas desenvolveu um novo mecanismo de transporte e aplicação de medicamentos que é capaz de cruzar a barreira sangue-cérebro e atingir e matar células cancerosas no cérebro. A pesquisa foi apresentada durante um simpósio médico que está sendo realizado em Genebra, na Suíça.

Os novos medicamentos já passaram pelos estudos pré-clínicos e agora estão sendo avaliados na primeira fase de testes em pacientes com glioma maligno e metástases no cérebro.

Barreira sangue-cérebro

A barreira sangue-cérebro é formada por uma rede de células endoteliais densamente fechada, localizada nos vasos capilares do cérebro. Ela expressa um grande volume de proteínas que afastam moléculas estranhas do cérebro, ao mesmo tempo permitindo a passagem de moléculas necessárias ao funcionamento do cérebro, como glicose e insulina.

Essa barreira, tecnicamente conhecida como Barreira Hematoencefálica, dificulta também a passagem de medicamentos dirigidos para combater o câncer no cérebro. Atualmente, menos de 5% dos medicamentos, feitos de pequenas moléculas, são capazes de cruzar essa barreira.

Um exemplo desses medicamentos eficazes é a temozolomida, que é a única droga quimioterápica disponível para o tratamento de tumores cerebrais como o glioblastoma multiforme e o astrocitoma anaplástico progressivo.

Transporte de medicamentos

Agora os cientistas desenvolveram um novo mecanismo de transporte dos medicamentos que oferece uma forma não-invasiva e flexível de levar diferentes tipos de medicamentos - anticorpos, proteínas, peptídeos, siRNA, pequenas moléculas, etc. - através da barreira hematoencefálica, chegando até o sistema nervoso central.

A nova droga tira proveito dos receptores localizados na superfície da barreira e que são os responsáveis em transportar ativamente as moléculas úteis ao cérebro até o outro lado da barreira - eles são uma espécie de porteiros, que pegam as moléculas do lado de fora e as levam até o interior do cérebro.

O medicamento quimioterápico, chamado ANG1005, gruda-se em um desses receptores, chamado LRP-1, sendo levado por ele até o interior do cérebro, onde ele pode agir, atacando as células cancerosas.

Medicamentos inteligentes

Este é o mecanismo de ação de um novo conceito de medicamentos conhecidos como drogas inteligentes, ou medicamentos inteligentes, que utilizam "carregadores" para levar os princípios ativos até o ponto onde eles devem atuar.

Depois de chegar ao ponto de ação, geralmente um tumor, os carregadores grudam-se a proteínas específicas na superfície das células-alvo e liberam os medicamentos diretamente nas células tumorais. Esse mecanismo evita efeitos colaterais e diminui drasticamente as doses necessárias de quimioterapia, uma vez que eles sejam depositados diretamente no tumor.

O novo medicamento inteligente para tratamento do câncer no cérebro tira proveito do mesmo mecanismo, só que o leva um passo adiante, utilizando um mecanismo interno do corpo para carregar o medicamento até um ponto onde ele não conseguiria chegar normalmente.


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