Médicos questionam benefícios da transfusão de sangue

Riscos da transfusão de sangue

Nos últimos 10 anos, uma série de estudos descobriu que, muito longe de salvar vidas, as transfusões de sangue podem efetivamente colocar em risco a vida dos pacientes. Agora, um grupo de cirurgiões e anestesistas está questionando se o procedimento deve ser realmente adotado livremente como acontece hoje.

"Normalmente, quando há uma incerteza clínica sobre um tratamento, você não o administra, mas nós continuamos aplicando a transfusão," diz o Dr. James Isbister, do Royal North Shore Hospital, na Austrália.

O problema está no sangue

Agora, segundo um novo estudo coordenado por médicos ingleses, não há nenhuma pesquisa que demonstre que a transfusão de sangue seja benéfica, a não ser quando o paciente está com uma hemorragia que não possa ser estancada. Segundo o Dr. Gavin Murphy, do Bristol Heart Institute, o que há são vários estudos alertando para os perigos da transfusão de sangue.

O estudo avaliou uma série de outras pesquisas médicas já publicadas, mostrando que o problema não está com o grandemente propalado risco de se constrair uma infecção, ou doenças como a AIDS ou a hepatite - o maior problema está no próprio sangue.

Transfusão aumenta taxa de mortalidade de pacientes

Várias das pesquisas revisadas mostram que as transfusões de sangue, particularmente as que contêm glóbulos vermelhos, estão ligadas a altas taxas de mortalidade em pacientes que tiveram um ataque cardíaco, que passaram por cirurgias cardíacas ou que estão em estado crítico.

A natureza exata da conexão entre a transfusão de sangue e a alta taxa de mortalidade ainda é incerta, mas as evidências apontam para alterações químicas no sangue já envelhecido, seu impacto sobre o sistema imunológico e para a capacidade do sangue em transportar oxigênio.

Risco da transfusão maior do que risco de infecção

De fato, a maioria dos especialistas agora concordam que o risco representado pela própria transfusão de sangue é muito maior do que os riscos de uma infecção adquirida durante a transfusão. "Provavalmente entre 40 e 60 por cento das transfusões de sangue não são boas para os pacientes," afirma o Dr. Bruce Spiess, da Virginia Commonwealth University.

As transfusões de sangue se tornaram um elemento básico da medicina durantes as duas guerras mundiais, quando ela foi utilizada como último recurso para salvar soldados que haviam sofrido perdas massivas de sangue. Mas agora, longe de estar restrita a hemorragias catastróficas, as transfusões são utilizadas rotineiramente como um tratamento opcional, mais comumente em pacientes internados em UTIs ou passando por grandes cirurgias.

Risco maiores

As coisas começaram a mudar em 1999, quando um estudo feito no Canadá demonstrou que um número significativamente menor de pacientes morria depois da transfusão de sangue se eles recebessem a transfusão apenas quando os níveis de hemoglobina caíam abaixo de 70 g/l de sangue, e não 100 g/l, como é feito normalmente.

Um estudo mais recente descobriu que, em pacientes que sofreram ataques cardíacos, apresentando hematócritos acima de 25%, uma transfusão de sangue está associada com um risco de morte três vezes maior ou com um segundo ataque cardíaco num intervalo de 30 dias. (Journal of the American Medical Association, vol 292, p 1555).

Para quase 9.000 pacientes que sofreram cirurgias cardíacas na Inglaterra entre 1996 e 2003, receber uma transfusão de glóbulos vermelhos está associado com um risco três vezes maior de morrer dentro de um ano, e um risco quase seis vezes maior de morrer em até 30 dias depois da cirurgia.

As transfusões de sangue também estão associadas a mais infecções e altas taxas de incidência de derrames cerebrais, ataques cardíacos e falhas nos rins - complicações normalmente associadas a uma falta de oxigênio nos tecidos.

Doação de sangue

Mas as pessoas não devem parar de doar sangue, afirmam os estudiosos. "A transfusão é crítica em várias situações, como em hemorragias graves. Nós também necessitamos de sangue para produtos essenciais, como anticorpos e fatores coagulantes para pessoas com hemofilia," diz o Dr. Isbister.


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