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12/07/2011

Memória é bem mais do que uma lista de compras

Divya Menon

O que parece ser

Muitas vezes, o objetivo da ciência é mostrar que as coisas não são o que parecem ser.

Mas agora, um renomado psicólogo cognitivo está exortando os seus colegas no estudo da memória para consultar a verdade de sua própria experiência.

Para Douglas Hintzman, da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, a memória parece ser bem o que ela parece ser, e não o que os limitados experimentos de laboratório estão fazendo com que ela se pareça.

Humanos em laboratório

"Os psicólogos cognitivos estão tentando ser como os físicos e químicos, o que significa fazer experiências controladas em laboratório, obtendo números e explicando esses números", afirmou Hintzman.

A maior parte dos experimentos, segundo ele, envolve dar às pessoas listas de palavras e pedir-lhes para lembrar dessas palavras.

"Os pesquisadores frequentemente se esquecem completamente que eles próprios têm memória e que podem ver como as suas memórias funcionam em seu íntimo," continua ele, "e que isto pode ser muito relevante para a teoria que eles estão desenvolvendo."

Teorias simplistas

Revendo a literatura do seu campo de estudo e os modelos experimentais que entraram e saíram de moda durante o último meio século, Hintzman conclui que estas tarefas experimentais simples, observados isoladamente umas das outras, geram teorias que são tão simplistas que fundamentalmente deturpam a natureza da memória.

Por exemplo, afirma ele, essas tarefas com lista de palavras faz parecer que nós só nos lembramos de coisas que nós intencionalmente colocamos em nossas mentes para serem lembradas, ainda que todos nós experimentemos memórias espontâneas muitas vezes a cada dia.

Também, como esses experimentos ocorrem em sessões curtas, os pesquisadores ignoram o fato óbvio de que a memória se relaciona com a história pessoal, e a história é definida no tempo.

A memória, então, é fundamental para nossa compreensão do tempo.

Lembrança involuntária

A preferência pela chamada "parcimônia teórica" - a ideia de que a teoria não deve ser mais complexa do que o necessário - está levando os cientistas da memória pelo caminho errado.

"A amplitude de uma teoria é pelo menos tão importante quanto a sua precisão. De fato, se tomarmos a teoria da evolução como nosso padrão, a amplitude será muito mais importante," escreve ele.

Contemplando a evolução, Hintzman passou a acreditar que um papel crucial é desempenhado pelo que ele chama de "lembrança involuntária" - o processo pelo qual as experiências momentâneas evocam memórias de experiências anteriores, criando um registro coerente de nossas interações com o ambiente.

"Os animais - os mamíferos, em particular - evoluíram em um mundo complexo no qual os padrões de eventos relacionados são distribuídos ao longo do tempo. É essencial para a sobrevivência que você aprenda sobre esses padrões," explica o pesquisador.

Finalidade evolutiva da memória

Os seres humanos desenvolveram a capacidade adicional de aprender e de recuperar as lembranças deliberadamente, mas "a finalidade evolutiva da memória é revelada" por essas lembranças cotidianas, "não por aquilo que normalmente acontece no laboratório."

Em seu artigo, Hintzman não delineia um programa de pesquisas para o futuro, mas exorta os estudiosos da memória e os teóricos a considerarem a grande variedade de coisas que a memória faz por nós.

"Nossos antepassados sobreviveram," escreve ele, "dependendo não de sua capacidade de lembrar listas de compras. Os caçadores-coletores só levavam o que podiam encontrar."


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