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18/03/2016

Memória de cobaias com Alzheimer é recuperada com luz

Com informações da Agência Brasil e MIT
Memória de ratos com Alzheimer é recuperada com luz
As placas de beta amiloide (vermelho) mostram os sinais característicos do Mal de Alzheimer. As células de engramas (verde) foram marcadas com uma técnica óptica, que permitiu a recuperação da memória dos animais de laboratório. [Imagem: RIKEN]

Acesso à memória

Os doentes de Alzheimer podem não ter perdido suas memórias, mas apenas ter dificuldade em acessá-las, o que levanta a possibilidade de tratamentos para recuperá-las. É o que revela um estudo publicado na revista científica Nature.

Ao estimular áreas específicas do cérebro com luz azul, a equipe do cientista japonês Susumu Tonegawa, Nobel da Medicina em 1987, mostrou que os animais de laboratório passam a recuperar memórias que antes eram inacessíveis.

Estes são os primeiros indícios de que a doença de Alzheimer não destrói as memórias, apenas as torna inacessíveis.

"Como os humanos e os camundongos tendem a ter um princípio comum em termos de memória, as nossas conclusões sugerem que os pacientes com doença de Alzheimer podem, pelo menos nos estágios iniciais, manter as memórias no cérebro, o que significa que existe uma possibilidade de cura," disse Tonegawa.

Recuperação da memória

Há anos, cientistas questionam se a amnésia provocada por traumatismo craniano, estresse ou doenças neurológicas como Alzheimer resultam de danos em células cerebrais específicas, o que tornaria impossível recuperar as memórias, ou se o problema é o acesso a essas memórias.

Para tentar comprovar essa segunda hipótese, Tonegawa desenvolveu uma técnica que permite que as memórias perdidas sejam recuperadas com luz, um avanço anunciado em meados do ano passado.

Agora, em conjunto com colegas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA), eles aplicaram essa técnica de optogenética especificamente para o caso do Alzheimer, usando camundongos geneticamente modificados para exibir sintomas semelhantes aos dos doentes humanos com a doença.

Os animais foram colocados em uma caixa que tinha uma corrente elétrica baixa no chão, provocando uma sensação desagradável, mas não perigosa, de choque elétrico nos pés.

Um camundongo não afetado que seja colocado novamente na mesma caixa 24 horas depois fica paralisado de medo, antecipando a mesma sensação desagradável, mas os camundongos com Alzheimer não mostraram qualquer reação, sugerindo que não têm memória da experiência.

Células de engramas

Quando foram estimuladas zonas específicas do cérebro dos animais - as "células de engramas" associadas à memória - usando uma luz azul, os camundongos aparentemente relembraram-se do choque.

Além disso, ao examinar a estrutura física dos cérebros dos camundongos, os investigadores constataram que os doentes tinham menos sinapses (ligações entre neurônios). Através da estimulação luminosa repetida, foi possível aumentar o número de sinapses até níveis comparáveis aos dos camundongos saudáveis.

Em certo ponto, deixou de ser necessário estimulá-los artificialmente para provocar a reação de medo diante da caixa. "As memórias dos camundongos foram recuperadas através de um meio natural", disse Tonegawa. Isto significa "que os sintomas da doença de Alzheimer desapareceram," acrescentou o neurocientista.

A equipe estima que a técnica só funcione durante alguns meses nos camundongos, ou durante dois ou três anos nos humanos, até a doença avançar de tal maneira que elimine os ganhos.


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