Misticismo rompe com grilhões das igrejas e das ciências

Renascimento do Misticismo será discutido em evento internacional
As igrejas estão cada vez mais vazias, e as pessoas têm encontrado suas próprias formas de espiritualidade através das chamadas teologias místicas.
[Imagem: Northwestern University]

Construções do Misticismo

Em contraste com os séculos anteriores, as experiências místicas de hoje não são mais exclusivamente ligadas a mosteiros e formas contemplativas de vida em locais afastados.

Em vez disso, formas místicas de experiência são cada vez mais buscadas independentemente das instituições.

O fenômeno tem chamado a atenção de inúmeros pesquisadores.

Tantos que agora eles estão organizando uma conferência internacional na Alemanha, que reunirá especialistas de todo o mundo em um evento chamado "Construções do Misticismo".

O objetivo do encontro é analisar, através das fronteiras religiosas, as raízes do misticismo desde a Antiguidade, a redescoberta do misticismo no século 20 e os rumos que essa teologia mística está assumindo no século 21.

Fenômenos místicos

Segundo os pesquisadores, o fenômeno do misticismo secular aparece na vida de um número inacreditavelmente grande de pessoas.

"Na pesquisa Religion Monitor 2013, quase a metade dos alemães do oeste e um terço dos alemães do leste afirmaram ter experiências de unidade e totalidade, ou seja, experiências que estão frequentemente relacionadas com o misticismo," relata a Dra. Annette Wilke, da Universidade de Munique e uma das organizadoras do evento.

"Muitas pessoas se sentem em harmonia com a natureza ou com o universo em tais momentos. Nem sempre a crença em Deus está envolvida com essas experiências," acrescenta.

"O misticismo atrai muitas pessoas hoje ao oferecer formas intensivas de crença pessoal e uma espiritualidade que é baseada na experiência. Isto está de acordo com a individualização da nossa sociedade," de acordo com a pesquisadora.

Também está em linha com o afastamento das pessoas em relação às religiões tradicionais e aos seus dogmas e regras, que pouco oferecem em termos de conexão direta com o "algo maior" em que essas pessoas acreditam, geralmente diferente da crença no Deus pessoal antropomorfizado preconizado pelas religiões.

"Isso também explica o apelo de religiões como o budismo e o hinduísmo, que têm a reputação de serem particularmente místicas," reconhece Wilke.

Teologia mística

Na verdade, mesmo religiões tradicionais, como a Igreja Católica, já se deram conta do fenômeno e possuem grupos de meditação em suas fileiras. Teólogos como John Main e Lawrence Freeman têm uma legião de adeptos no mundo todo, relembrando experiências que remontam a Santa Tereza de Ávila e São João da Cruz.

O Islamismo possui sua própria linhagem mística, essa muito mais antiga e disseminada, por meio do sufismo e dos dervishes.

Mas o que está chamando mais a atenção dos pesquisadores é o renascimento do misticismo, por assim dizer, "doméstico", em que as pessoas parecem ter descoberto uma maneira de lidar com o mundo moderno sem se tornarem escravas dele.

"Por um lado, isto serviu para a libertação dos 'grilhões da Igreja' e, por outro lado, dos grilhões das ciências naturais, como o filósofo Fritz Mauthner disse em 1925," resumiu Wilke.


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