Mortes no transplante de células-tronco - o que deu errado

Médicos de um famoso hospital infantil de Londres - Great Ormond Street Hospital - ficaram perplexos quando um tratamento que eles usavam rotineiramente para tratar crianças doentes com câncer inexplicavelmente parou de funcionar.

Oito crianças que receberam transplantes de medula óssea não mostraram sinais de melhoria e algumas delas começaram a piorar.

Quando quatro das crianças morreram, os alarmes soaram.

O hospital interrompeu a terapia que vindo utilizando com sucesso desde 2003 e iniciou uma investigação urgente.

Transplantes de medula óssea

Os transplantes de medula óssea foram desenvolvidos para dar às crianças doentes uma proteção contra os efeitos colaterais indesejados da quimioterapia que recebem para o câncer.

A quimioterapia destrói tanto as células cancerosas quanto as células saudáveis imaturas do sangue (conhecidas como células-tronco). Assim, antes de aplicá-la, os médicos armazenam células sanguíneas saudáveis no congelador. Após a quimioterapia, as células congeladas podem ser descongeladas e transfundidas - terapia conhecida como transplante de medula óssea - para o paciente reconstituir a população das suas células.

Segundo o Hospital Great Ormond Street, os testes habituais foram realizados antes dos transplantes de medula óssea e não haviam apontado quaisquer problemas.

Células são como pessoas

O mistério foi resolvido pelo especialista em células-tronco Michael Watts, da Universidade College de Londres, chamado para fazer um relatório independente de um inquérito sobre as mortes das crianças.

Depois de realizar testes em seu laboratório, diferentes dos testes normalmente feitos pelos hospitais, Watts descobriu que as células não mais cresciam adequadamente.

"Ficamos espantados quando recebemos os resultados dos testes de funcionalidade [das células]," disse ele. "Infelizmente, as células são como pessoas. Elas começam a perder a sua funcionalidade e então morrem. Os testes habituais não conseguem pegar isso." Segundo ele, não é razoável que os hospitais adotem os testes altamente específicos feitos em seu laboratório para cada caso, mas é razoável que eles o utilizem ao menos para validar seu processo de congelamento das células.

As células retiradas dos pacientes são misturadas com uma solução especial para impedir a formação de qualquer cristal de gelo potencialmente prejudicial no interior das células.

O hospital anunciou que reintroduziu o congelamento das células usando um método alternativo e que vai acompanhar de perto este novo método.


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