Palmito pupunha é clonado por métodos biotecnológicos

Palmito pupunha é clonado por métodos biotecnológicos
Enquanto outras fontes de palmito levam de 6 a 8 anos para produzir um único palmito, na pupunheira o primeiro corte ocorre entre 15 e 18 meses após o plantio no campo, e continua produzindo por até 20 anos.
[Imagem: Marcílio de Almeida/Ag.USP]

Clonagem de palmito

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da USP, em Piracicaba, o professor Marcílio de Almeida, do Departamento de Ciências Biológicas vem desenvolvendo há anos pesquisas relacionadas à clonagem do palmito pupunha.

O objetivo é desenvolver um protocolo para propagação de mudas clonais de pupunheiras em larga escala e em curto prazo, por meio da técnica de cultivo in vitro ou micropropagação.

Segundo o professor, o que o conduziu a esses estudos foram as vantagens que a espécie apresenta em relação aos demais palmiteiros, tanto do ponto de vista econômico, como ecológico.

Palmito de pupunha

"A pupunheira é considerada ecologicamente correta por apresentar vantagens que compensam seu cultivo, uma vez que o palmito cultivado no Brasil segue uma tendência mundial que prevê a substituição de produtos de origem extrativista por produtos cultivados, protegendo sobremaneira a Mata Atlântica," diz o cientista.

Além disso, entre as vantagens da espécie em relação aos demais palmiteiros está a produtividade. Enquanto as demais levam de 6 a 8 anos para produzir um único palmito, na pupunheira o primeiro corte ocorre entre 15 e 18 meses após o plantio no campo e, depois, pode-se cortar em intervalos de 30 dias, garantindo renda mensal, por até 20 anos. "Associado a isso destaca-se o sabor suave, coloração marfim e maciez do produto", diz Almeida.

Ele ressalta que a importância do cultivo da pupunheira é tão destacada que foi formada em 2008 a Associação Brasileira das Indústrias do Palmito de Pupunha (ABRAPP), que conta com apoio da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Com as experiências de clonagem, o pesquisador visa produzir plantas com maior capacidade de brotação e resistência a doenças. As plantas submetidas aos testes em laboratório são cedidas pela empresa Inaceres Agrícola e Industrial Ltda. localizada em Uruçuca, na Bahia. "Lá, eles selecionam as matrizes que são enviadas ao laboratório para testes de clonagem", conta o pesquisador.

Parceria produtiva

As pesquisas realizadas pelo professor Marcílio Almeida geraram projetos de mestrado, doutorado e pós doutorado visando sempre ampliar as áreas de conhecimento com a espécie.

O projeto de pós doutorado realizado pela bióloga Cristina Vieira de Almeida propiciou a instalação da InVitroPalm Consultoria, empresa residente na Esalqtec, Incubadora Tecnológica em Piracicaba. Em parceria com a Inaceres, as empresas contam com apoio financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia para realização de pesquisas na área de clonagem de pupunheiras.

Cristina conta que as matrizes são enviadas à InVitroPalm a cada dois meses e os resultados dos estudos já atingiram cerca de 80% de sucesso. Nos laboratórios os pesquisadores retiram das matrizes o ápice caulinar de aproximadamente 1 centímetro (cm) e o inoculam em meio de cultura específico.

Cada ápice chega a produzir entre 10 e 15 novas plantas, repetindo-se de forma exponencial. Os pesquisadores afirmam que a micropropagação é de fundamental importância para a propagação de espécies vegetais economicamente importantes para a multiplicação em larga escala de genótipos superiores.


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