Mulher recebe traquéia recoberta com as próprias células-tronco

Mulher recebe traquéia recoberta com as próprias células-tronco
Dr. Paolo Macchiarini, ao lado da paciente Claudia Castillo, já totalmente recuperada do transplante de traquéia.
[Imagem: Hospital Clinic]

Engenharia de tecidos

Engenharia de tecidos - este é o nome da técnica que permitiu o primeiro transplante de traquéia e o primeiro transplante de tecidos feitos sem a necessidade de utilização de imunossupressores para evitar a rejeição.

A cirurgia foi feita pela equipe do professor Paolo Macchiarini, com a colaboração de médicos das universidades de Bristol, Pádua e Milão. O transplante foi feito há cinco meses, mas somente agora os resultados foram divulgados.

A paciente, Claudia Castillo, de 30 anos, recuperou-se totalmente. Ela precisou do transplante depois de ter sofrido danos na traquéia em razão de uma tuberculose.

Tecido híbrido doador-receptor

O tecido transplantado é um tecido híbrido, feito a partir do órgão de um doador e repopulado com células-tronco e células epiteliais de Cláudia. Isto fez com que seu organismo identificasse o transplante como sendo uma parte do próprio corpo, dispensando a aplicação de medicamentos anti-rejeição.

O processo de preparação da traquéia retirada do doador exigiu vários ciclos de lavagens para eliminação das células do doador. Segundo os pesquisadores, o processo foi bem mais complicado do que as pesquisas básicas de laboratório sugerem - os antígenos do doador somente foram eliminados depois de 25 ciclos de lavagem.

Células-tronco

A seguir os médicos cresceram em laboratório células epiteliais e células de cartilagem diferenciadas a partir de células-tronco retiradas da medula espinhal de Claudia. Esta técnica não é inédita, tendo sido desenvolvida para o tratamento de pacientes com osteoartrite.

Utilizando um reator construído especialmente para este procedimento, as células epiteliais foram inseridas na superfície interna da traquéia e as células de cartilagem foram utilizadas para recobrir a superfície externa do órgão a ser transplantado.

Desta forma, o que seria o tecido do doador transformou-se em um tecido híbrido muito similar aos da própria paciente, o que evitou a rejeição.


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