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08/04/2013

É verdade que as mulheres se esquecem da dor do parto?

Baseado em artigo de Monique Robinson - Universidade Western Australia
É verdade que as mulheres se esquecem da dor do parto?
Parece que, com o tempo, há mais oportunidade para processar o evento do nascimento e do parto e, com que esse retrabalho emocional, somente as experiências fortemente negativas serão lembradas.[Imagem: Cortesia shutterstock.com]

Evolução animal

Em um sentido evolutivo estrito, a memória da dor serve a um propósito importante - a dor indica uma ameaça à nossa segurança ou à nossa vida.

Enquanto éramos animais nas savanas africanas, nossa sobrevivência dependia de evitar as coisas que poderiam nos matar.

Nisto, o último século é uma exceção na história humana: o parto tem sido incrivelmente doloroso e associado a um alto risco de morte materna.

Mas então, perguntam os estudiosos da evolução, como é que as mulheres concordaram em continuar dando à luz uma vez depois da outra? Por que não evoluímos para um nascimento menos doloroso e menos ameaçador?

Agora os biólogos resolveram concordar que a única explicação que faz sentido está no velho ditado popular de que, ao contrário de outras dores, as mulheres se esquecem da dor de parto.

Mas não basta concordar com o que até agora era considerado um mito - era preciso submeter essa hipótese ao escrutínio científico.

A dor do parto

A ideia de que as mulheres são biologicamente programadas para esquecer a dor do parto também é favorecida pela linguagem que usamos para descrever a euforia e o alívio de ter um bebê saudável - no momento que seguram a criança pela primeira vez, as mulheres geralmente relatam que a dor do parto foi intensa, mas que já foi esquecida.

Ela não foi realmente esquecida, mas a felicidade e a satisfação "colorem" a dor que doía tanto há tão pouco tempo - isto é conhecido como o efeito auréola.

Curiosamente, embora a ciência não tenha sustentações definitivas para a alegação de que as mulheres se esquecem por completo da dor do parto, essa mesma ciência concorda que, ao longo do tempo, muitas mulheres lembram a dor do parto como sendo menos grave e menos intensa do que nos momentos imediatos ao nascimento do filho.

Esta relação parece se sustentar principalmente para as mulheres que relataram níveis moderados de dor.

Nos extremos da dor, contudo, as memórias parecem ser mais constantes. As mulheres que, logo após o nascimento do filho, relataram que sua dor do parto constituiu "a pior dor imaginável" continuavam com essa opinião quando questionadas um ano depois.

A manutenção da opinião inicial, como seria de se esperar, também ocorreu entre as mulheres que relataram seu parto como "sem dor".

Quando a dor do parto é esquecida

A dor é apenas um elemento da experiência do parto como um todo, e outros fatores que contribuem para a forma como um nascimento é lembrado incluem a satisfação com os profissionais de saúde, o uso de analgésicos, o nível de intervenção médica, as complicações, os resultados para o bebê, e todos os tipos de fatores pessoais.

Esses elementos podem desempenhar um papel importante na determinação de como a dor é lembrada.

Quando todos os outros aspectos são somados a uma experiência positiva do parto, as mulheres relatam menos dor no momento, e são mais propensas a baixar sua avaliação da dor ao longo do tempo.

Ou seja, vale o ditado popular de que as mulheres se esquecem da dor do parto.

Por outro lado, quando estes aspectos combinados produzem uma experiência negativa, as mulheres relatam uma maior dor no parto e não esquecem a intensidade da dor, pelo menos até cinco anos depois.

Parece que, com o tempo, há mais oportunidade para processar o evento do nascimento e do parto e, com que esse retrabalho emocional, somente as experiências fortemente negativas serão lembradas.

Como, no geral, apenas um pequeno percentual de mulheres desenvolve síndrome do estresse pós-traumático depois de uma experiência negativa de parto, parece que o ditado popular se sustenta: as mulheres geralmente se esquecem da dor do parto.


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