Nanopartículas destroem bactérias resistentes a antibióticos

Nanopartículas destroem bactérias resistentes a antibióticos
Polímeros aniônicos e catiônicos são liberados pelas nanopartículas e interagem com a parede externa da bactéria, formando feixes e causando sua desagregação.
[Imagem: International Journal of Molecular Science]

Lipídeos e polímeros

Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram nanopartículas com uma potente ação contra bactérias multirresistentes aos antibióticos atuais.

As nanopartículas - partículas com dimensões na faixa dos nanômetros (bilionésimos de metro) - foram produzidas a partir de fragmentos lipídicos e depois recobertas com polímeros especiais.

"Em estudos anteriores havíamos mostrado que tanto o lípide catiônico (com carga positiva) quanto o polímero catiônico têm ação contra microrganismos. Quando se combinam esses dois elementos ou se combina um deles com um antibiótico ou com um peptídeo antimicrobiano, conseguimos uma ação de maior espectro", explicou a professora Ana Maria Carmona Ribeiro.

O tamanho das partículas varia entre 50 e 100 nanômetros (nm) - como parâmetro de comparação, um fio de cabelo tem espessura aproximada de 80 mil nm. As diferentes camadas das nanopartículas são montadas por atração eletrostática.

Nanopartículas contra bactérias

Coube à pesquisadora Letícia de Melo Carrasco testar as nanopartículas em culturas de bactérias normalmente encontradas em ambientes hospitalares e que já desenvolveram resistência aos antibióticos mais usados, como a Pseudomonas aeruginosa multirresistente (MDR), Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase (KPC) e Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA).

De acordo com os resultados publicados no International Journal of Molecular Science, as nanopartículas conseguiram matar entre 92% e 99% das células bacterianas em cultura.

"Observamos que, ao interagir com a bactéria, a partícula se dissocia. Os polímeros aniônicos e catiônicos são liberados e interagem com a parede externa da bactéria formando feixes. Isso causa a desagregação da parede celular", detalha a professora Ana Maria.


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