Brasileira desenvolve ferro em nanopartículas para fortificar leite infantil

Brasileira desenvolve ferro em nanopartículas para fortificar leite infantil
Amostras usadas no desenvolvimento das nanopartículas de ferro para enriquecer fórmulas de leite infantil.
[Imagem: Antônio Scarpinetti/Unicamp]

Ferro no leite materno

Um estudo pioneiro e inédito, feito por pesquisadores do Instituto de Química da Unicamp e da Universidade de Oviedo, na Espanha, conseguiu sintetizar e utilizar nanopartículas de ferro para a fortificação de fórmulas artificiais e de leite materno para a alimentação de recém-nascidos.

"O objetivo da pesquisa foi encontrar uma forma de enriquecer as fórmulas artificiais com ferro que de fato pudesse ser metabolizado e utilizado pelo organismo. O leite materno in natura possui baixo teor total de ferro, cerca de 0,2 e 0,4 miligramas por litro. Porém, à medida que se liga a proteínas de alta massa molecular, ele se torna altamente absorvível e utilizado pelo organismo do bebê, diferentemente do ferro encontrado em fórmulas artificiais," explica a pesquisadora Rafaella Regina Peixoto.

A eficiência de um suplemento alimentar é medido pela biodisponibilidade, que se refere à quantidade do elemento (proteína, vitamina, etc.) que de fato é absorvido e utilizado pelo organismo em funções metabólicas.

A ingestão e absorção inadequadas de ferro nas primeiras semanas de vida podem trazer sérios danos à saúde, como anemia, atrasos no desenvolvimento e distúrbios comportamentais - por isso, o ferro é um dos elementos mais estudados para fortificação de fórmulas infantis e do leite materno.

Atualmente, a forma mais comum e barata de enriquecimento é com sulfato ferroso (Fe II), um sal que, em excesso, pode causar efeitos gastrointestinais colaterais e interferir na absorção de outros nutrientes, como zinco (Zn) e cobalto (Co).

Dessa forma, o desafio foi obter nanopartículas que se assemelhassem ao ferro do leite materno in natura, para garantir uma nutrição eficaz e adequada.

Ferro em nanopartículas

O pioneirismo da pesquisa está em investigar não somente o teor total de ferro no leite materno, como (e principalmente) a quantidade que é digerida e absorvida pelo aleitamento materno ou pelas fórmulas industriais.

A escolha por testar a fortificação através de uma nanopartícula se deve ao seu tamanho, entre 1 e 100 nanômetros, o que favorece sua absorção intestinal, e às suas características estruturais, que se assemelham à forma como o ferro é estocado pelo organismo.

Os resultados obtidos mostraram que o ferro da nanopartícula foi incorporado de forma não tóxica ao organismo das cobaias e utilizado para funções biológicas. Isso quer dizer que as nanopartículas de ferro foram de fato digeridas, absorvidas e utilizadas para o funcionamento do organismo.

O uso das formulações infantis é necessário especialmente para bebês prematuros ou que nasceram abaixo do peso. Nestes casos, busca-se obter uma formulação o mais semelhante possível ao leite materno cru. É para essas amostras que o enriquecimento com nanopartículas de ferro (Fe) se mostrou eficiente, de acordo com a pesquisa. "Acredito que essa é uma das formas mais promissoras de fortificar as fórmulas infantis, de maneira bem parecida com o leite materno in natura", ressalta Rafaella Peixoto.

Nutrição pelo leite materno

O leite materno é um alimento completo, constituído por 87% de água, dispersões coloidais, emulsões de gordura, membranas de glóbulos de gordura e células vivas. Os principais macronutrientes encontrados no leite humano são proteínas, lipídios e o dissacarídeo lactose. Os principais micronutrientes incluem vitaminas (A, B1, B2, B6, B12 e D) e elementos essenciais, como sódio (Na), potássio (K), cálcio (Ca), iodo (I), ferro (Fe), fósforo (P), magnésio (Mg), cobre (Cu) e zinco (Zn).

O leite humano também possui uma série de compostos bioativos, incluindo fatores imunológicos e de crescimento, como imunoglobulina, lactoferrina, leucócitos e fatores de crescimento epidérmicos. Porém, em determinadas situações a amamentação materna com leite in natura não é possível e, nestes casos, a alimentação de bebês é realizada por duas fontes: bancos de leite humano ou fórmulas infantis.

O Brasil possui uma das redes de bancos de leite humano mais ativas do mundo. Estima-se que em 2016 foram coletados 174.178 litros de leite e distribuídos 127.277 litros. No mesmo ano foram registradas 161.165 doadoras e 155.558 receptores, sendo os bancos de leite concentrados no Estado de São Paulo os mais ativos, segundo a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano.


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