Ver:

 Temas
 Enfermidades





RSS Diário da Saúde

Twitter do Diário da Saúde

27/09/2011

Nanotecnologia usa fios de ouro para remendar o coração

Redação do Diário da Saúde
Nanotecnologia usa fios de ouro para reparar coração de ataque cardíaco
Os nanofios de ouro dão suporte para as células cultivadas em laboratório e garantem que elas vão bater no ritmo correto.[Imagem: Nature Nanotechnology]

Costurando com fios de ouro

Uma equipe de físicos, engenheiros e cientistas dos materiais usaram a nanotecnologia e minúsculos fios de ouro para criar um novo "remendo" para o coração.

Não se trata apenas de um curativo, mas de um remendo mesmo, completo, formado por células vivas cultivadas em laboratório - um pedaço de tecido artificial.

Quando implantadas no coração - por exemplo, no caso de um ataque cardíaco - as células entram em sincronia com as células nativas do coração e se integram ao órgão, efetivamente corrigindo os danos causados pela isquemia.

Nanotecnologia para o coração

A equipe do Hospital Infantil de Boston e do MIT, ambos nos EUA, descobriu que a adição de nanofios de ouro às células cardíacas cultivadas em laboratório torna o tecido eletricamente condutor, melhorando o desempenho do tecido artificial implantado.

"Se você não tiver os nanofios de ouro, e estimular o remendo cardíaco com um eletrodo, as células vão bater no ritmo correto somente enquanto você as estiver estimulando," explica o Dr. Daniel Kohane, coordenador da pesquisa.

"Com os nanofios, observamos uma grande quantidade de células contraindo juntas, mesmo depois que a estimulação foi retirada. Isto mostra que o tecido está conduzindo [os pulsos elétricos]," diz ele.

Após a incubação das células, essas porções de tecido artificial guarnecidas com os nanofios de ouro ficam mais grossas e as células melhor organizadas, facilitando o implante.

E a condutividade elétrica significa que elas vão bater em sincronia com as demais células do coração.

Cérebro e medula espinhal

Kohane acredita que esta nanotecnologia poderá ser aplicada na construção de qualquer tecido eletricamente excitável, incluindo tecidos do cérebro e da medula espinhal.

O ouro foi escolhido por ser um excelente condutor elétrico e por ser tolerado pelo corpo humano.

Cada nanofio tem 30 nanômetros de diâmetro e entre 2 e 3 micrômetros de comprimento - com alguma dificuldade é possível vê-los a olho nu.

Os testes foram feitos em cultura e, a seguir, os cientistas vão implantar os remendos em animais, o primeiro passo para que a descoberta se transforme em um tratamento médico.

Remendos para o coração

Outros remendos para o coração já estão começando a entrar na fase de testes clínicos, a última etapa para que possam estar disponíveis aos pacientes.

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Washington criaram um suporte biocompatível capaz de dar a sustentação necessária ao crescimento e a integração de células-tronco derivadas de células do músculo cardíaco.

Uma equipe da Universidade de Duke, por sua vez, criou um remendo tridimensional usando cardiomiócitos, um tipo de células do coração.


Ver mais notícias sobre os temas:

Coração

Nanotecnologia

Neurociências

Ver todos os temas

Mais lidas na semana:

Nanoestrelas matam bactérias sem desenvolver resistência

Ciência começa a entender eficácia da Medicina Chinesa contra o câncer

O que é melhor: Meditação ou Férias?

Carne e barbatana de tubarão contêm altos níveis de neurotoxinas

Dor de cabeça: Conheça aquelas que exigem tratamento