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14/01/2011

Cientistas identificam "neurônios Facebook"

Redação do Diário da Saúde
Cientistas identificam
Há uma população de neurônios pequena, mas significativa, que dispara mais do que os outros neurônios. [Imagem: Carnegie Mellon University]

Real imita o virtual

Cientistas da Universidade Carnegie Mellon (EUA) descobriram que, dentro do neocórtex cerebral, existe uma sub-rede de neurônios altamente ativos que se comportam como pessoas em redes sociais.

Como no Facebook, essas redes neuronais têm uma pequena população de membros altamente ativos que fornecem e recebem mais informações do que a maioria dos outros membros.

Segundo Alison Barth, um dos autores do estudo, os cientistas vão agora ser capazes de estudar esses neurônios específicos e compreender melhor o neocórtex, que se acredita ser o centro de aprendizado de mais alto nível do cérebro.

Neocórtex

Formado por trilhões de neurônios, o neocórtex é a parte do córtex cerebral responsável por uma série de funções importantes, incluindo a percepção sensorial, a função motora, o raciocínio espacial, o pensamento consciente e a linguagem.

Embora os neurocientistas estejam estudando o neocórtex há mais de 40 anos, as tecnologias disponíveis até agora só forneciam uma visão geral das grandes áreas do cérebro, não tendo uma resolução suficiente para mostrar neurônios individuais.

Embora já suspeitassem que apenas uma pequena proporção dos neurônios faz a maior parte do trabalho no neocórtex, os cientistas não tinham evidências experimentais disso.

Neste novo estudo, publicado na revista Neuron, os pesquisadores utilizaram um modelo de camundongo transgênico para ver claramente quais neurônios neocorticais são mais ativos.

Neurônios Facebook

O modelo animal tem uma proteína verde fluorescente (GFP) ligado ao gene Fos, que é dependente da atividade. Isto faz com que o neurônio literalmente se acenda quando está ativado.

Barth e seus colegas puderam ver que os neurônios não eram mais ativos por ser intrinsecamente mais excitáveis - na verdade, esses neurônios pareciam estar mais calmos do que seus vizinhos inativos.

O que os torna mais ativos é a informação que recebem.

De acordo com Barth, parece que essa rede ativa de neurônios no neocórtex atua como uma rede social.

Há uma população de neurônios pequena, mas significativa, que dispara mais do que os outros neurônios. Eles fazem a maior parte do trabalho pesado, fornecendo e recebendo mais informações do que o resto dos neurônios em sua rede.

"É como no Facebook. A maioria dos seus amigos não posta muito - quando posta. Mas há uma pequena porcentagem dos seus amigos no Facebook que atualiza seu status e sua página frequentemente. Essas pessoas têm mais chance de estarem ligadas a mais amigos. Assim, além de compartilharem mais informações, eles também estão recebendo mais informações de sua rede ampliada, que inclui outros participantes mais ativos," explica Barth.

Impactos reais na neurociência

Os resultados deverão ter um forte impacto sobre a neurociência.

Agora que os pesquisadores são capazes de identificar e visualizar estas células individuais, eles poderão começar a determinar por que elas são mais ativas e o quanto sua atividade é estável. O grupo pretende estudar estes neurônios para descobrir o papel que desempenham na aprendizagem.

Os resultados também vão ajudar a avançar a neurociência computacional, especificamente na área de codificação esparsas - os cientistas vão estudar como o cérebro usa uma pequena população de neurônios para codificar a informação.


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