Neurônios não são máquinas: cada um pode agir do seu próprio jeito

Neurônios não são máquinas: cada um pode agir do seu próprio jeito
A pesquisa altera as teorias sobre o funcionamento das células nervosas, que usam meios diferentes para obter os mesmos resultados.
[Imagem: Marie Suver/Caltech]

A epilepsia, arritmias cardíacas e outras condições causadas por mau funcionamento das células nervosas do corpo - os neurônios - podem ser difíceis de tratar.

O problema é que um medicamento pode ajudar alguns pacientes, mas não fazer efeito para outros.

E, de antemão, os médicos não têm como prever quais drogas vão funcionar para cada paciente individual.

Uma esperança para resolver esse dilema acaba de surgir com uma descoberta inusitada, feita por David Schulz e seus colegas da Universidade de Missouri (EUA).

O grupo constatou que as diferenças ou semelhanças físicas entre os neurônios não resultam em comportamentos diferentes ou idênticos.

"Parafraseando Leon Tolstoy, 'todo o sistema nervoso infeliz é infeliz à sua própria maneira', especialmente para os indivíduos com epilepsia e outras doenças", disse Schulz.

E não apenas isso: acontece que, mesmo neurônios felizes, podem ser felizes à sua maneira.

Neurônios com personalidade

Os neurônios têm uma atividade elétrica natural, sendo biologicamente programados para manter essa atividade. Se um neurônio não estiver nesse "estado preferido", cada célula nervosa tenta restaurá-lo.

Entretanto, contrariamente às conclusões anteriores sobre o funcionamento dos neurônios, Schulz demonstrou que dois neurônios essencialmente idênticos podem atingir a mesma atividade elétrica preferida de formas diferentes.

"Nosso estudo sugere que os neurônios de cada doente podem ser alterados de maneiras diferentes, embora a doença resultante seja a mesma. Isto pode ser a principal razão pela qual os médicos têm dificuldade em prever quais medicamentos serão eficazes para cada indivíduo específico. O mesmo problema pode afetar o tratamento das arritmias cardíacas, da depressão e de muitas outras doenças neurológicas," explica ele.

Os neurônios individuais usam diferentes combinações de poros celulares, conhecidos como canais iônicos, para alcançar o mesmo objetivo final de seus saldos elétricos e químicos preferenciais.

Nos epilépticos, por exemplo, os neurônios do cérebro frequentemente recebem pouca estimulação de outros neurônios.

Esses neurônios epilépticos sub-estimulados podem tentar compensar de forma exagerada essa falta de estimulação, tornando-se então muito sensíveis.

Com isso, quando os impulsos elétricos realmente os alcançam, vindos de outros neurônios, os neurônios epilépticos hipersensíveis podem reagir exageradamente e causar uma convulsão.

Embora esta seja uma pesquisa básica, alterando as teorias sobre o funcionamento dos neurônios, ela é essencial para qualquer equipe que esteja tentando encontrar meios de domar os neurônios para combater as doenças neurológicas.


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