Descoberta nova forma de transmissão do HIV do homem para mulher

Descoberta nova forma de transmissão do HIV do homem para mulher
Esta ilustração mostra como o HIV escorrega entre as células da pele fracamente conectadas para atingir seus alvos no sistema imunológico, tais como as células de Langerhans (laranja), macrófagos (roxo), células dendríticas (verde) e células T CD4 positiv
[Imagem: Ann Carias]

Barreira ineficaz

Até agora os cientistas acreditavam que o revestimento interno normal do trato vaginal era uma barreira efetiva à invasão do HIV durante o intercurso sexual. Eles acreditavam que o vírus, que é grande, não conseguiria penetrar esse tecido.

Mas uma nova pesquisa feita na Northwestern University (Estados Unidos) demonstrou pela primeira vez que o HIV de fato consegue penetrar o tecido vaginal normal e sadio de uma mulher até uma profundidade onde ele pode ter acesso às células do sistema imunológico que ele vai atacar.

Como a transmissão sexual do HIV funciona

"Este é um resultado importante e inesperado," afirma Thomas Hope, coordenador da pesquisa. "Nós tivemos um novo entendimento de como o HIV pode invadir o trato vaginal feminino."

"Até agora, a ciência realmente não tinha idéia sobre os detalhes de como a transmissão sexual do HIV realmente funciona. O mecanismo era muito obscuro," diz o cientista.

Acreditava-se que o HIV somente conseguia penetrar no organismo da mulher por pequenas lesões no canal vaginal, que podem ocorrer durante a relação sexual ou serem causadas por outros vírus, como o da herpes.

Várias formas de transmissão

Outra hipótese era que o HIV invadia o sistema imunológico da mulher através de uma única camada de células que marca o seu canal cervical. "Sempre se pensou que esse fosse o ponto fraco no sistema," diz Hope. Contudo, experiências feitas na África, nas quais as mulheres usaram um diafragma para bloquear o colo do útero não reduziram a transmissão do vírus.

"Um grande erro nesse campo é a idéia de que a transmissão somente se dá de uma forma," diz Hope. "Nossa perspectiva é que os vírus podem infectar as pessoas em mais de uma forma. Nós afirmamos que uma das formas que devem estar nessa equação é que o vírus pode ser transmitido diretamente através da pele," diz ele.

Pele genital

No experimento, os cientistas marcaram os HIV com tintas fluorescentes que os permitiram acompanhar o vírus enquanto ele penetrava o tecido do trato genital feminino, chamado epitélio escamoso, em amostras de tecido obtidas por histerectomia e em modelos animais.

O HIV penetrou a camada de pele genital movendo-se rapidamente. Em apenas quatro horas ele atingiu uma profundidade de 50 micrômetros - equivalente à largura de um fio de cabelo humano. Esta é a profundidade na qual estão localizadas algumas das células do sistema imunológico atacadas pelo HIV.

A pesquisa ainda precisará de confirmação e de novos testes. O próximo experimento consistirá na identificação das primeiras células a serem infectadas no epitélio, um local onde o vírus não era procurado nas pesquisas anteriores.


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